A sexta-feira foi marcada por tragédias em Franca. Durante a manhã, um homem foi encontrado morto executado a tiros às margens da estrada rural do Paiolzinho. No meio da tarde, um lavrador morreu quando o trator que dirigia capotou, o esmagou e pegou fogo.
À noite, um acidente chocante: um carro com três jovens caiu no córrego da Avenida Ismael Alonso y Alonso. Dentro dele, duas irmãs, de 18 e 14 anos, e o namorado da primeira, também com 18 anos. Todos ficaram gravemente feridos, mas a estudante Flávia Oliveira Junqueira, 18, filha do sargento Emerson, não resistiu e morreu antes mesmo de ser socorrida. Até o fechamento desta edição, os outros dois ocupantes do carro continuavam internados.
ASSASSINATO
Logo no começo da manhã a polícia encontrou o corpo de Marco Antônio Macedo, 30. Ele estava com as mãos e os pés amarrados com fios de telefone. A boca foi amordaçada com pedaço de pano vermelho. Três horas depois, familiares reconheceram o corpo no IML (Instituto Médico Legal). Conhecido como “Batóia”, Marco morava na Vila Europa e, segundo a polícia, foi vítima de execução sumária.
O assassinato foi descoberto logo nas primeiras horas de ontem. Populares que passavam pela estrada, que fica a cerca de um quilômetro da rodovia que liga Franca a Claraval, avistaram o corpo caído perto do barranco e ligaram para a polícia. Eram 6h30, quando os policiais militares confirmaram o encontro do cadáver.
No corpo do homem, havia, no mínimo, cinco perfurações, mas depois, no IML, ficou constatado que ele foi executado com oito tiros. Os disparos foram à queima-roupa e atingiram cabeça, o rosto e o peito da vítima. “Ele ficou com o rosto desfigurado.
Pelos projéteis encontrados, o revólver usado no crime foi uma pistola 380”, disse o soldado Éder, da Polícia Militar.
As evidências de um acerto de contas são muitas. Marco Antônio Macedo, o “Batóia, era ex-presidiário. Ele cumpriu pena de três anos por tráfico de drogas e havia saído da cadeia cerca de três meses atrás. Macedo teve as mãos e os pés amarrados com fios de telefone, além de ter sido amordaçado com pedaço de pano vermelho.
Peritos da Polícia Científica fizeram os primeiros levantamentos sobre a morte da vítima ainda no local do crime e constataram que não havia sinais de luta. Segundo eles, duas ou mais pessoas podem ter participado da execução. Os policiais também apuraram que “batóia” pode ter sido morto entre 2 e 3 horas antes do encontro do cadáver. “A temperatura do corpo era de 35 graus quando chegamos. Após a morte, ela cai um grau por hora. Pode ser que trouxeram ele aqui e o mataram pouco depois das 4 horas da madrugada”, disse um dos peritos.
A equipe da Divisão de Homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) já trabalha com objetivo de identificar e prender os assassinos. “Ainda é cedo para se apontar uma linha de investigação. Estamos ouvindo os parentes da vítima. Já sabemos que ele era um ex-presidiário. Existem várias hipóteses para o crime. A única coisa que temos é que se trata de uma execução sumária”, disse Amato.
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Marco Antônio Macedo tem uma ficha criminal bastante extensa. Sua primeira passagem cadastrada pela polícia foi em 1996, na Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). Familiares não quiseram comentar sua morte. Um cunhado da vítima, que esteve no IML, se negou a dar informações sobre o homem.
A vítima não tinha endereço certo. Após sair da cadeia, passou a freqüentar a Vila Europa, bairro onde tinha amigos e morou antes de ser preso. Ninguém questionado pelo Comércio quis falar sobre o caso. A lei do silêncio impera no local. Não está descartado pela polícia um possível acerto de contas com o narcotráfico.
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