Franca foi uma das dez cidades paulistas que mais empregaram no primeiro trimestre deste ano. O setor industrial foi o destaque, com mais de 7 mil contratações. Mas, segundo especialistas, nem sempre é fácil encontrar profissionais qualificados. Somente nesta semana, o Comércio da Franca descobriu mais de 80 postos de trabalho abertos, em diferentes setores, mas sem candidatos para preenchê-los. A maior reclamação de quem precisa contratar é que há interessados nas vagas, mas são poucos os que detêm o perfil desejado pelas empresas.
Os cargos mais difíceis de serem ocupados estão na indústria coureiro/calçadista (pespontador, manchador, expedidor, coladeira de peça e blaqueador, mecânico de máquinas de curtume e técnico em recurtimento), no setor comercial (vendedores externos e consultores de vendas) e na construção civil (pedreiro, armador de ferragens, carpinteiro e serralheiro). Em média, essas vagas ficam abertas por no mínimo 15 dias, sem candidatos capacitados para a contratação.
Cleide Bilar Beloti, gerente de Recursos Humanos do curtume Della Torre, diz que há dez dias tem uma vaga aberta para técnico em recurtimento. “Várias pessoas se candidataram, mas nenhuma tinha qualificação suficiente para ocupar o cargo”.
Problema semelhante é enfrentado na rede Móveis Xavier. Em constante expansão, a diretoria encontra dificuldades para encontrar profissionais nas áreas administrativas e de vendas. “O RH faz a seleção, mas os candidatos que aparecem não se enquadram no perfil desejado pela empresa”, explicou Mateus Xavier, gerente de compras e marketing do grupo.
Sem alternativa, o gerente resolveu treinar os próprios funcionários para ocupar os cargos que exigem maior especialização. Rafael Gomes, 21, era vendedor de uma loja da rede e foi promovido a estagiário no departamento de compras. “Hoje, o maior desafio de uma empresa é o material humano. Precisava ampliar o quadro do departamento de compras e não conseguia nenhum candidato à altura, então optamos por um trabalho interno de formação”, disse Xavier.
Jorge Henrique Lespinassi, sócio-proprietário da Fransoftware, optou pelo mesmo recurso para preencher a demanda por técnicos em informática. “A falta de profissionais é tanta que estamos treinando pessoas sem experiência alguma. O problema é que quando esse funcionário adquire um know-how alto, outra empresa faz contato, oferece um salário maior e ele acaba saindo. Por isso há muita rotatividade”.
SOBRAM VAGAS
Para ocupar as vagas ociosas, as empresas apelam aos anúncios e agências de recrutamento. Na Agiliza Agência de Empregos, a coordenadora de Recursos Humanos Rosângela Baldine Silva tem vagas de cortador de forro e mecânico em manutenção de máquinas abertas há mais de uma semana e não consegue candidatos capacitados o suficiente. O mesmo acontece para os cargos de consultor de vendas, modelista e cronoanalista (que mede o tempo dos produtos na esteira). “A pouca qualificação, o vocabulário fraco e a falta de interesse dos candidatos dificultam o preenchimento da vaga”, afirmou Rosângela.
No PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), somente na área calçadista surgem por semana em média 25 vagas, mas nem todas são ocupadas com facilidade. Chanfrador, expedidor, coladeira de peças, blaqueador e manchador qualificados e com experiência são quase profissionais em extinção. “Com o fim da Francal, a situação deve piorar, pois as empresas necessitarão de mais mão-de-obra para atender os novos pedidos”, disse Maria Moreira, supervisora do Posto. O órgão também enfrenta dificuldade para encontrar profissionais na área da construção civil, principalmente armador de ferragens, marceneiros e carpinteiros.
Sandra Regina da Silva Zoca, encarregada do departamento pessoal da construtora Conspen, conhece o problema de perto. No mês passado, a empresa admitiu 39 profissionais, os mais difíceis de serem encontrados foram os pedreiros e carpinteiros. “A procura é constante, apelamos para funcionários que já trabalharam com a gente e fazemos anúncios nas obras, mas nem sempre o candidato aparece”.
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