Ao ler Pracuch, quando ele se apresentou como “sapateiro” e novo titular da coluna sobre Couro e Calçado do Comércio, senti necessidade de mandar-lhe uma mensagem. E preocupei-me ao escolher um título para nominá-la. Na busca mental em meu escaninho particular, encontrei meu pai já passado mais de setenta anos, me fazendo essa observação: – Meu filho! Não vai salvar o seu padrinho, a Donana e tio Zeca?”.
Fiquei a cismar e chamei a proteção do dicionário do mestre Houaiss, encontrando “8 (sXIV) – cumprimentar(-se), saudar(-se), dar a saudação. Ex.: “s. o porteiro do edifício” -”as vizinhas salvaram-se à porta do elevador”, para tentar compreender adequadamente a definição de salvar, optando por grafar este “salvar” no título de meu artigo. Eu estava consciente da necessidade de cumprimentar o sapateiro Pracuch, que venho acompanhando desde tempos. “A aflição pré-Francal” (outro de seus artigos), encontrou em meu pensamento tanta sintonia não permitindo furtar-me ao desejo de alinhavar palavras de elogio.
Antes, no entanto, devo dar ciência que meu conhecimento ou experiência com sapato se restringe a calçá-lo, senti-lo apertando calos ou com tachinha agredindo a sola do pé, – ainda se usa tachinha? – e com certeza, discutir o preço, pois, sou de bem pechinchar.
Como eu e Pracuch militamos em áreas diferentes, tênue é nosso conhecimento, que permitiu um único encontro pessoal em uma reunião promovida por Jorge Donadelli na sede do Sindicato por ele presidido. O encontro, qualificado de confraternização de intelectuais, – uns comentando os acontecimentos e outros fazendo acontecer – reuniu empresários calçadistas de destaque e jornalistas. Foi ampla discussão apontando para unificação de forças pautando projetos com os quais Franca haveria de muito ganhar.
Apreciei ouvir as interferências do técnico Pracuch, ali expondo princípios de organicidade empresarial, agressividade e absoluta amarração ao fator principal: planejamento. Lamentavelmente, não cheguei a conhecer novos encontros, como ficou ali proposto, a dar continuidade a causa motivadora da reunião. Frustraram-se os apetites de valorização das classes produtivas? Parar no tempo com a descontinuidade leva a uma triste e real verdade de nunca alcançar a meta, especialmente, quando não há planejamento.
Pracuch. Através de seus textos, viajar com você na história dos eventos a partir da primeira Francal no prédio inacabado da Prefeitura, uma outra do campo do Palmeiras debaixo de lonas e chão alagado, foi bom. Com parabéns agradeço a que viajem com a indagação: em todo esse tempo, o que acrescentamos? Crescemos e podemos, no balanço geral, mostrar avanço com emancipação?
Garcia Netto
Jornalista
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