Recém-formado no curso de publicidade e propaganda, o casal de namorados Ana Paula Lemos, 24, e Paulo Sérgio Mariano Júnior, 24, tinha o sonho de montar uma produtora de vídeo, mas não tinha o dinheiro suficiente nem noções de administração de uma pequena empresa. Os dois juntaram alguns recursos que possuíam, somaram com os R$ 5 mil emprestados do Banco do Povo e compraram a primeira filmadora.
Para tocar o empreendimento, buscaram assessoria do Escritório Regional do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Franca. Dois anos e meio depois, aquele sonho tornou-se realidade com a produtora de vídeo Ello, que hoje produz comerciais de TV e vídeos empresariais de qualidade.
Este é um dos exemplos bem-sucedidos de pessoas que procuram o Sebrae para abrir um negócio próprio. No primeiro semestre deste ano, o escritório de Franca atendeu 1.078 pessoas interessadas em montar uma empresa. As estatísticas são baseadas em cursos direcionados a esse tipo de trabalho, além de palestras. De janeiro a junho, a entidade atendeu 4.500 pessoas. “É um número considerável. A expectativa é registrar movimento 30% maior em 2008”, disse o consultor de negócios do Sebrae de Franca, Rosivaldo Luís Vieira.
O Sebrae fornece todo tipo de suporte, desde dicas de como abrir a firma, ter acesso a crédito e até a forma de superar problemas do dia-a-dia, como controlar o fluxo de caixa - e a resistir à tentação de retirar R$ 50 do caixa da empresa para gastar na balada do fim de semana.
Mensalmente, a entidade oferece cursos para quem pretende entrar para o mundo do empreendedorismo, que, de aventura, não tem nada. “Aventura é coisa do passado. Hoje quem não se capacitar, não fizer pesquisa de mercado e não se preparar cai no grupo de pequenos empresários que não resistirão ao primeiro ano”, disse o consultor Rosivaldo, acostumado a lidar diariamente com quem quer ser dono do próprio negócio.
Sobreviver no primeiro ano é um trunfo importante para chegar ao sucesso. De cada 100 empresas, mais de 60 não conseguem ultrapassar a marca de 365 dias. Para que o empreendedor resista a esta “prova de fogo”, o Sebrae oferece cursos de treinamento e formação de líderes empresariais.
ESTILO GOOGLE
Há dois anos e meio, Eliezer Nogueira Pimentel e seu sócio deixaram a empresa em que trabalhavam para fundar a Plano Bê, especializada em softwares. Entraram no negócio através do Empretec, um seminário de nove dias em que as pessoas são treinadas e cuja prova final é um seminário no qual o participante tem que apresentar um projeto do próprio negócio. Eliezer apresentou projeto na área na qual trabalha. E deu certo.
Tudo começou no antigo emprego. “Não concordava com os métodos da empresa, principalmente no desenvolvimento dos produtos e na filosofia de trabalho. Queria algo diferente”, disse. Hoje, na Plano Bê, implementou medidas semelhantes às utilizadas no Yahoo e na Google, empresas norte-americanas do Vale do Silício, considerado o maior pólo tecnológico do mundo.
Da mesma forma que lá, funcionário da empresa de Eliezer fixa o próprio horário de trabalho. Se quiser descansar, tem redes espalhadas por salas e corredores. O ambiente de trabalho é diferente do de um escritório comum. A decoração nada lembra uma empresa que trabalha com programação de softwares, com direito a aeromodelo pendurado no teto. Um mundo diferente do que se conhece na cidade, e que tem dado resultado: a Plano Bê já realizou parcerias para desenvolvimento de softwares, inclusive, nos Estados Unidos.
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