O projeto Click na Educação abriu inscrições para o segundo semestre de 2008. Serão 350 vagas oferecidas na sede da ONG no Jardim Consolação (110 vagas) ou para a unidade móvel da organização que estará nos próximos seis meses na Escola “Professor Michel Haber”, no bairro Jardim Paulistano. O interessado em fazer o curso deve ser maior de 14 anos, alfabetizado e apresentar comprovante que tem baixa renda familiar, entre 28 de julho e 1º de agosto. O curso é gratuito.
O projeto Click na Educação foi criado em 2004 pela ONG Franca Viva, e tem como objetivo a inclusão digital e social de pessoas carentes. Desde então, formou 1.834 alunos que têm de 14 a 70 anos.
As aulas acontecem a cada quatro meses e ensinam noções básicas de Windows, Word, Power Point, Excel e Internet. A coordenadora do projeto, Fernanda Soares, diz que a procura costuma ser quase quatro vezes maior que o total de vagas disponíveis. “Só no último período de inscrições foram 1.200 interessados”, disse.
Um dos diferenciais do projeto é a unidade móvel que, segundo a coordenação, tem o objetivo de levar os equipamentos necessários para as aulas até as comunidades carentes. Um ônibus foi adaptado e, no lugar dos 44 bancos, existem 16 computadores com acesso à internet em alta velocidade - conectada por uma antena instalada na parte superior do veículo. Nos últimos quatro anos, a unidade móvel já esteve nos bairros Jardins Aeroporto, Tropical, Brasilândia e City Petrópolis. No próximo semestre estará no Jardim Paulistano.
Embora haja limite mínimo de idade, não há o máximo. Para os alunos que tenham mais de 50 anos, existe um direcionamento específico chamado Ativa Idade, com um método direcionado e instruções mais detalhadas.
Um dos que fizeram o Ativa Idade foi Antônio Arquileu Rodrigues. Com 60 anos, ele diz que não tinha condições financeiras para estudar computação. “Nunca tinha encostado a mão em um computador. Agora, a vida me oferece uma oportunidade que aos 60 anos eu não pensava ter”, disse. Antônio vende peças para bancos de madeira e já comprou um computador para aplicar os conhecimentos e otimizar as vendas. O microempresário não tem intenção de parar. “Já me inscrevi em outro curso para aprender coisas mais direcionadas à minha profissão”, disse.
Na outra ponta da balança de idades, os jovens também sabem da importância da computação, como Gabriel Henrique de Oliveira, que tem 14 anos. “Eu não sabia mexer em nada. Agora fica mais fácil no futuro arrumar emprego”, disse.
O Magazine Luiza é o principal patrocinador do projeto, cedendo móveis e computadores. A diretora superintendente Luíza Helena Trajano Inácio Rodrigues diz que é necessário que todos tenham uma chance de acesso às novidades da informática. “A gente tem que dar oportunidade para as pessoas. Quem não tiver inclusão digital hoje, não arruma emprego”, disse.
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