Uma das piores torturas que enfrentamos nos dias de hoje são as benditas salas de espera. Talvez por isso, laboratórios, médicos e dentistas estão constantemente reformando essas salas, com uma iluminação suave, tranqüilizante, com a intenção, creio eu, de manterem seus pacientes quietos nas poltronas por longas horas sem se manifestarem, questionarem, ou mesmo desistirem da consulta, enquanto são obrigados a esperar pelo terrível descompromisso com os horários marcados na agenda.
É interessante ir até um consultório - qualquer que seja a especialidade não como paciente, mas para observar seu funcionamento. Num canto estrategicamente planejado ficam as recepcionistas, com sua educação acéptica e sorrisos decorados, absortas em intermináveis livros e apostilas e atendendo chamados telefônicos. Em quase todas essas salas de espera, fácil de perceber, existem nas paredes relógios que tiquetaqueiam segundos intermináveis e minutos semestrais. Parecem sempre marcar dez para as seis... Tem ainda as reproduções de Vangogh, Picasso, até Tarsila do Amaral. Normalmente, reproduções de reproduções.
E as músicas das salas de espera? Sempre instrumentais, em volumes inaudíveis, executadas por alto-falantes invisíveis e de qualidade sonora duvidosa. Mas, pior ainda é o gênero das publicações dispostas em todos os cantos da maioria dos consultórios. São as mais fúteis encontradas nas bancas. Nada contra quem se interesse por fofocas de celebridades ou pelo que acontecerá nos próximos capítulos das telenovelas, mas, convenhamos, não se pode ignorar que alguns pacientes gostem de leituras sérias e atualizadas. Será que há certo desprezo sobre a capacidade intelectual dos enfermos por parte dos médicos? Nunca se vê uma revista nova. A maioria com riscos de caneta, bigodes nas figuras de mulher; chifres na cabeça dos homens e assim vai...
Outro dia, num consultório de um oftalmologista, encontrei uma revista que trazia a cassação do Collor. Pensei com meus botões, é por isso que pingam aquele líquido ardido em nossos olhos. Para não enxergarmos as datas das revistas, só pode ser.
Agora, triste mesmo é enfrentar tudo isso numa sala de espera de um dentista, ou seja, o “corredor da morte”, onde aguardamos a vez para o “abate”, e rotineiramente escutamos as torturas que alguém sofre entre aquelas quatro paredes. Algumas pessoas têm medo de assaltos, aviões, doenças, solidão, de espíritos... Eu, de dentistas. Verdadeiro pavor do som daquela maquininha que perfura nossos dentes como se abrisse um buraco em calçada. E, para complicar ainda mais, sempre chega alguém pra ser atendido e tenta puxar conversa: “E aí, tudo bem?” Como poderia estar bem na sala de espera de um dentista? O consolo veio outro dia de um velho amigo, bem hipocondríaco, que adora dentistas e médicos. Para ele, a visita a estes profissionais era de todo agradável, pois, além de curar um mal, valia também como visita cultural, haja vista estes quadros expostos nas salas de espera. Tem gosto pra tudo...
LEI SECA
A Lei Seca, instituída há uma semana no Brasil, está corretíssima e veio em boa hora. Chega de abusar da bebida antes de dirigir. Quantas pessoas têm morrido por conta dessa irresponsabilidade? Seria muito bom se tal medida desse certo, mas o que tememos é o aumento da corrupção face ao célebre “jeitinho” brasileiro. O motorista que ultrapassar o nível de 2 decigramas tolerados por litro de sangue, com o tal “jeitinho” pode sair da punição numa boa. Solta uma grana alta ao policial e escapa da multa. E se duvidarem, ainda toma uma “saideira”. No Brasil, lei é como vacina, umas pegam, outras não.
LIONS CLUBE CIDADE NOVA
Recebi do amigo Marcelo Nalini convite para a posse festiva da nova diretoria do Lions Clube de Franca Cidade Nova, que acontece nesta sexta-feira, dia 4, às 20 horas, em sua sede social, localizada na Rua Arnaldo Teixeira Lemos, 1201, Parque Progresso, em Franca. Pablo Barros Pedigone assume a presidência do clube, Maria Marta Silva Penha, a secretaria, Paulo Roberto Lourinho, tesouraria, Marcelo Nalini, direção social e Marcelo Palenciano a direção de associados. Se possivel, marcaremos presença. Grato pelo convite.
NEGATIVO
O que dá pra rir, dá pra chorar. Vai ser meio engraçada essa dança da Justiça Eleitoral para o pleito de outubro próximo. O TSE diz que qualquer sujeito pode se candidatar, ainda que esteja a responder 200 mil processos, exceção para os transitado em julgado. Os TREs, no entanto, já avisaram que não vão registrar ninguém com problemas na Justiça e ainda são a favor da divulgação da lista dos picaretas. E agora? Registra, não registra, divulga, não divulga. O eleitor tem de ser alertado, saber quem é pilantra e quem não é, e a partir daí, bem orientado, votar de modo consciente. É desastroso votar num candidato de passado obscuro, sem presente recomendável e sem futuro.
POSITIVO
Termina amanhã, sexta-feira, A 40ª edição da Francal (Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes) realizada nos 46 mil metros quadrados dos pavilhões do Anhembi, em São Paulo. Até aqui, a expectativa é positiva, bons negócios estão sendo realizados e os mais de mil expositores, sendo 84 de Franca, acreditam em recorde de vendas este ano, afastando, em definitivo, a crise que assola o setor calçadista.
SALA DE ESPERA...
O primeiro paciente, todo orgulhoso:
- Minha mulher é um anjo!
O segundo, resmungando:
- Você tem sorte, a minha ainda está viva.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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