Um dado nada confortável levantado pelo Sebrae de São Paulo aponta que perto de 60% das pequenas e microempresas brasileiras fecham suas portas até o quinto ano de funcionamento. Antes que completem um ano, um terço delas encerrará suas atividades. Entre as principais causas estão a falta de informação e o desconhecimento de técnicas básicas de administração financeira.
Na tentativa de esclarecer situações do cotidiano de uma empresa, chamando a atenção de pequenos empresários para as ocorrências que mais contribuem para a bancarrota de um negócio, o Banco do Povo de Franca realizou na terça-feira o 1º Café Empresarial promovido pelo órgão, em parceria com o Serviço de Apoio à Pequena e Microempresa. Um evento simples, em que pequenos comerciantes, clientes do banco, ouviram dicas do consultor Rosivaldo Luiz Vieira, do Sebrae, sobre empreendedorismo, focadas em temas como custos, despesas e preços de venda.
Na pequena platéia, pessoas simples, que obtiveram empréstimos para fomentar pequenas oficinas, lojas de roupas, fábricas, entre outras iniciativas.
As histórias são sempre as mesmas. Com dificuldades para obter um empréstimo em uma instituição bancária tradicional, recorreram ao órgão do governo paulista, que empresta dinheiro para compra de equipamentos e giro de capital. A juros menores que os praticados pelo mercado, muitos desses comerciantes encontram no Banco do Povo a única maneira de fazer o pequeno negócio sair do papel e deslanchar, mudando em pouco tempo as perspectivas de futuro.
Três dessas pessoas, todas mulheres, participaram da palestra de Vieira ontem de manhã. Seus casos - duas lojas de roupa e uma confecção - mostram que o dinheiro emprestado veio em boa hora. E mais: foi diretamente responsável pelo crescimento de seus negócios.
A costureira Ana Amélia Freitas, 45, já está no terceiro contrato com o Banco do Povo de Franca. De uma única máquina de costura, não profissional, adquiriu outras cinco, mais incrementadas. Os equipamentos estão distribuídos em um salão, construído há três meses. É nele que Ana Amélia dá conta de suas encomendas de roupas para festa e outros tipos de peças, o que lhe rende até R$ 2 mil por mês. O próximo passo, diz ela, rumo à profissionalização, será a abertura de uma empresa, que lhe permita contratar uma funcionária.
Para a ex-sacoleira Regina dos Reis, 47, a experiência com o Banco do Povo foi decisiva para que pudesse montar sua pequena loja de roupas, funcionando há dois anos no Jardim Petraglia.
Os R$ 10 mil que tomou emprestado, em duas situações diferentes, foram suficientes para formar um capital de giro inicial e melhorar o aspecto visual do imóvel, que tem atraído a clientela do bairro e até de cidades vizinhas.
“Acho que ainda estou plantando. Trabalho todos os sábados até as 18 horas e, se for preciso, levo as roupas de sacola para minhas clientes, como fazia antes”, disse ela. “Sei que não vou ficar rica. Meu objetivo é poder envelhecer com alguma segurança”, acrescentou Regina, cuja maior realização foi conseguir dar um casamento no campo para a filha, coisa, de acordo com ela, impensável anos atrás.
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FÁCIL, MAS NÃO GARANTIDO
Outra que já recorreu aos empréstimos subsidiados do Banco do Povo para alicerçar o pequeno negócio foi a microempresária Maria Aparecida Gea dos Reis, 59. Sua loja na Vila Aparecida funciona na frente da casa onde mora. Com a autoridade de quem já fez quatro empréstimos, Cida, como é conhecida, também reforça o que as colegas haviam dito: “Não teria como conseguir o dinheiro em outro banco; é difícil para quem não tem como dar as garantias que eles (os bancos) pedem”.
Para ela, no entanto, crédito fácil não significa que o negócio está garantido. Dizendo o que todo consultor adoraria ouvir, Cida afirma que quando a coisa aperta, liga para as clientes, faz promoções e enche sacola que leva para as clientes que não podem ir à loja. “Esse é o negócio da minha vida. Adoro o que eu faço”.
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