Maria Trindade Viana, 74 anos, acabou de passar por uma angioplastia - procedimento realizado para desobstruir uma artéria, restabelecendo o fluxo sanguíneo. Ela nunca tinha tido doenças cardiovasculares até quatro meses atrás, quando sofreu um enfarte. Como resultado, perdeu 80% das funções arteriais. A paciente, em recuperação no HC (Hospital do Coração de Franca), é uma das milhares de pessoas atendidas anualmente pela instituição. Em 2007, o HC internou 2.243 pacientes na clínica médica e 1.134 na UTI da Unidade Coronariana (UCO). Neste ano, somente em maio, 144 pessoas foram internadas na clínica médica e 75 na UCO do Hospital.
Por ano, o Hospital do Coração realiza cerca de 320 cirurgias, sendo que 65% delas são intervenções para colocar marcapasso. Os outros 35% referem-se a operações feitas diretamente no coração, como a desobstrução de artérias. Desde 1988, já foram realizadas mais de 5,1 mil cirurgias deste tipo. “Oitenta por cento das cirurgias são fruto de um acompanhamento de sintomas que levam a um diagnóstico. Diria que hoje apenas um em cada cinco pacientes descobre seus problemas de uma hora para outra”, diz Edson Alves Margarido, cardiologista responsável pelo Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital.
Segundo o médico cardiologista do HC, Ulysses Mendez Gianecchini, as doenças cardíacas que mais acometem os francanos são geradas pela hipertensão arterial e “ao contrário do que muitos pensam, não só o enfarte é ocasionado pela hipertensão, o AVC e a insuficiência renal também são diretamente relacionados a esse mal”, esclarece.
A ORIGEM DO PROBLEMA
O cardiologista alerta que os principais fatores que levam a doenças cardíacas como enfarte e acidente vascular cerebral (AVC) são hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, cigarro, estresse, hereditariedade e sedentarismo. No caso de Maria Viana, o fator genético foi decisivo. “Eu já perdi três irmãos por causa de problemas de coração”, disse ela, que recebeu alta um dia após passar pela cirurgia.
Para prevenir possíveis doenças do coração, o melhor é manter hábitos saudáveis, evitar a obesidade, o sedentarismo e consultar regularmente um médico cardiologista, verificando sempre os níveis de colesterol e a pressão arterial.
Em Franca, no ano de 2007, as doenças cardiovasculares, como hipertensão, derrame e infarte levaram 500 pessoas à morte. O número equivale a quase 28% de todos os óbitos registrados no ano passado, superando as mortes causadas por acidentes de trânsito e agressões. Os dados constam no relatório divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde e têm por base o levantamento da CID (Classificação Internacional de Doenças). Segundo os médicos, esses números seguem uma tendência nacional.
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