Prefeito de Restinga desiste da briga e abre caminho para Belão


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Alegando motivos pessoais, o prefeito de Restinga, Amarildo Thomas do Nascimento (PMDB), anunciou ontem que não pretende disputar a reeleição em 5 de outubro próximo. A decisão provoca uma reviravolta nas previsões, que apontavam o prefeito como um dos francos favoritos à vitória nas urnas e abre caminho para que o ex-prefeito da cidade, Clarindo Ferracioli, o Belão (PSC), retorne ao posto. Há cerca de 20 anos exercendo mandatos eletivos, dois de vereador, dois de vice-prefeito e um de prefeito, Amarildo parecia empolgado com o resultado de sua administração e com um suposto favoritismo para a disputa deste ano. Nos bastidores, ele chegou a citar pesquisas de avaliação que apontavam uma grande aceitação dele junto ao eleitorado. Agora, mudou de idéia. “Fiz esta opção juntamente com a minha família e optei por não ser candidato”, disse à reportagem na tarde ontem aparentemente emocionado. Amarildo negou que tenha sofrido pressões, políticas ou não, para desistir da candidatura. “Não sofri pressão de espécie alguma. Depois de 20 anos de política, pra mim não existe pressão, mas na politica existem dois caminhos, um caminho bom e outro complicado. Eu preferi ficar do lado da minha família e estou feliz com essa decisão”, reafirmou, mas deu indícios de que algo mais pode ter acontecido. “O jogo de interesses é muito e isso não faz parte da minha índole, então quando eu percebi que ele estava acima da qualidade de vida do município e das melhorias da cidade, concluí que isso não me interessa e preferi cuidar da minha vida”, disse sem mais detalhes. E AGORA? Questionado sobre seu futuro político e suas relações com os candidatos que almejam ocupar seu cargo, o prefeito preferiu se esquivar, dizendo que vai torcer para que o povo escolha bem seu próximo administrador e que seu partido está liberado para assumir a direção que lhe convier. Amarildo fez questão de frisar que não participará da disputa, nem mesmo atuando nos bastidores. Negou também que vá apoiar qualquer um dos candidatos. “Se fosse para eu participar de alguma forma, eu disputaria a eleição, então estou saindo para ficar apenas como um simples eleitor”, garantiu. O principal favorecido com a desistência de Amarildo é o ex-prefeito Clarindo Ferracioli, o Belão, seu padrinho político, ex-aliado e atual adversário. Dele, o prefeito garante não nutrir qualquer mágoa política ou pessoal. “Não tenho nada contra a pessoa de Belão. Ele é meu amigo e não tenho nenhuma mágoa dele, mas não vou subir no palanque de ninguém”, sublinhou. BALANÇO Resumindo sua trajetória política, Amarildo disse que teve mais alegrias que frustrações durante os 20 anos em que exerceu cargos eletivos e concluiu que deixa o cargo com o sentimento de dever cumprido, apesar dos muitos momentos de alegria, tristeza e revolta, de acordo com ele, causados “pela crueldade da política”. O anúncio da desistência, que equivaleria ao fim de sua carreira política, foi arrematado por uma frase que pode indicar apenas uma breve interrupção para o retorno em uma nova disputa em 2012. “Política, no momento, não”, disse. O ex-prefeito Belão não foi localizado pela reportagem na tarde de ontem. Seu celular anunciava estar desligado ou fora de área.

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