Trabalhar sob o sol forte em meio a poeira, cal, terra e pedras, com o uso de muita força física e sem grande retorno financeiro é uma das principais justificativas para a falta de mão-de-obra na construção, principalmente no caso dos pedreiros.
A explicação é de Hernando Pereira, 26, morador em Restinga, que viaja todos os dias para trabalhar numa obra no Residencial Amazonas, região onde há atualmente uma das maiores concentrações de construções na cidade. Há quatro anos na área, ele reconhece o crescimento no número de obras e, na mesma proporção, a queda em homens disponíveis para o serviço. “O pessoal tem desistido da profissão por ser muito cansativa e ganhar pouco”.
Pereira trabalha registrado e ganha R$ 808 por mês. Serviço diz não faltar, mas afirma que nem sempre há gente capacitada para a tarefa. “As exigências aumentaram. Fazer uma casa não é brincadeira, precisa conhecimento e qualidade e isso é exigido na hora em que se procura um emprego”, disse.
Ele trabalha de segunda a sábado na obra em Franca e aos fins de semana sempre é procurado para algum bico em Restinga. “Tem muita gente construindo, mas são obras que demoram muito e prendem o pedreiro, dessa forma não tem como assumir outro trabalho, o que acarreta na falta de mão-de-obra”. Na atual construção, Hernando Pereira trabalhará mais um ano e meio, além dos dois meses já trabalhados.
Paulo Gomes da Silva, 37, está em seu segundo emprego de pedreiro. Antes trabalhava como porteiro. Novato na área, diz preferir a construção do que uma fábrica de sapato, mas revela que a maioria dos seus conhecidos prefere a segunda opção. “Troquei de ramo porque é onde surgem mais vagas. Seja pequena ou uma construção grande sempre há trabalho, mas a turma mais nova tem evitado. O cara fica sem emprego, mas não trabalha como pedreiro ou servente”.
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