Mais de R$ 700 milhões devem ser investidos por empresas particulares na construção civil em Franca. Ao valor ainda podem ser somados os gastos para erguer o novo campus da Unesp, o Centro de Design, o Centro de Detenção Provisória, as casas populares e os novos empreendimentos que começaram a ser instalados na cidade - como o supermercado Tonin e a revendedora de automóveis Citroën. Para os pedreiros, uma ótima notícia, não fossem as exigências de qualificação (veja box ao lado). Para os responsáveis pelas construções, um novo problema: encontrar mão-de-obra.
Para o presidente da Associação dos Arquitetos e Engenheiros de Franca, Júlio Chead, o setor não estava preparado para esse crescimento e necessita urgentemente de pessoas capacitadas. “O volume de obras foi muito grande e pegou todo mundo despreparado. O pessoal estava voltado para outra área, a indústria. Você pega a construção civil agora e não tem pessoas disponíveis no momento. Então fica difícil de localizar, de contratar.”
Até mesmo em construções públicas, onde existe processo licitatório e prazos a serem cumpridos, a falta de mão-de-obra é notada. Nas obras do Centro de Design do Senai (Serviço Nacional da Indústria), por exemplo, uma placa convocava até o final do mês passado, funcionários para a contratação. “Nós estávamos com falta de pedreiro. Tivemos muita dificuldade”, disse o mestre-de-obras da construção, Maurinio Pereira, que conseguiu preencher seu quadro com a ajuda do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), que lhe forneceu 20 pedreiros.
Além da dificuldade comum de contratação, nesta época do ano, o problema se torna ainda maior, segundo Maurínio. “O problema que a gente observa é que o pessoal vai para o corte da cana. É uma fase que dá dinheiro”. Em relação ao salário, o mestre-de-obras diz que nem mesmo um pagamento acima da média é forma de segurar o funcionário. “Já estamos pagando até com o aumento de 8,5% e não estamos conseguindo”.
Até mesmo a Prefeitura entrou na disputa pela mão-de-obra da construção. A Prohab (Habitação Popular de Franca) fez um concurso no último dia 20 para ocupar 12 vagas com os cargos de apontador, carpinteiro, eletricista, encanador, pedreiro e segurança. Os aprovados trabalharão por seis meses, que podem ser prorrogados por outros seis, no mutirão que constrói casas populares no Jardim Santa Bárbara. Tudo isso foi para contratação imediata, tamanha a dificuldade em se conseguir pessoal capacitado.
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ALTA DE 10,76%
Dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) apontam que, em 2006, a construção civil tinha 1.317 trabalhadores empregados e que o setor gera 114 vagas, em média, por ano.
Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), só nos cinco primeiros meses de 2008, houve um aumento de 10,76% no número de vagas na construção civil em relação ao mesmo período do ano passado. Neste ano, 645 profissionais foram contratados no setor. O número é referente apenas aos empregos gerados com carteira assinada. Mesmo sem números oficiais, os empregos informais também precisam ser considerados.
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