Normalmente em ano par, de dois em dois anos há eleições no Brasil. Em 2006, os brasileiros elegeram deputados na esfera estadual e federal (Viu só? Não faz nem dois anos que você elegeu um parlamentar para votar favoravelmente à CSS, antiga CPMF ou imposto do cheque), senadores, governadores e também, ratificou a continuidade do atual presidente.
Agora, em 2008, no próximo dia 5 de outubro, será a hora de escolher vereadores e prefeito. A tarefa do eleitor é dificílima. Pois depende do seu voto o destino municipal no quadriênio futuro. Qualquer vacilo no momento de digitar o número do candidato e a asneira se prolonga por mais quatro longos anos.
Por isso, o momento torna-se apropriado para refletir. Bem democraticamente, sem nenhum favorecimento, tudo dentro da lei, este trimestre está destinado à propaganda eleitoral. Já foi dada a largada para os novatos. Porque para quem está no poder, seja ele legislativo ou executivo, a exposição ao público ocorre constantemente, sem nem contar os pseudofavores ocorridos nos últimos três anos e meio com a única intenção de fazer marketing pessoal.
Nesse aspecto, a reeleição é nociva para a democracia. Sem ela, pelo menos a gestão pública era mais ágil e o primeiro mandato não servia só de vitrine para mostrar as realizações. Um prefeito, sabendo que não poderia ser reeleito, trabalhava durante o seu mandato de maneira normal. A aspiração máxima seria então fazer o seu próprio sucessor. Depois, ter o apoio dele e voltar ao poder daí a quatro anos. Esse é o caminho igualitário da renovação política. Já que o deslize de um atrapalha o futuro do outro e vice-versa.
Basta uma breve revisão na história, para comprovar os males da reeleição. Atualmente, faz quase catorze em que a Presidência da República está entre dois políticos. FHC, depois de oito anos presidindo este País, não conseguiu fazer o seu sucessor. A continuar com a atual legislação eleitoral, Lula também não terá o prazer de promover alguém de sua própria cúpula ao cargo de presidente. Ou, o que é pior, se tentar mudar as regras, para dar vazão ao sonho de ficar por doze anos no poder, aí sim, haverá uma derrocada devastadora para a democracia.
No âmbito municipal, Gilmar Dominici foi o primeiro prefeito a reeleger-se, pegando carona do benefício legal, aprovado a peso de ouro no Congresso, para permitir aos ocupantes de cargo executivo o direito de pleitear a eleição pela vez segunda. Só que seguindo a sina do presidente e dos governadores (exceto os paulistas) eleitos por duas vezes seguidas, também não conseguiu emplacar o seu sucessor na prefeitura.
O prefeito Sidnei Rocha está a caminho da reeleição. Caso consiga, muito provavelmente tentará esculpir um substituto para administrar Franca, a partir de 2012. A continuar o atual retrospecto político de reeleição, isso será uma façanha difícil de acontecer.
Antônio Araújo
Professor de redação. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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