Família reclama de falta de informação sobre paciente do CTI


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SOFRIMENTO - Karine Mercedes Guerreiro de Andrade se despede da mãe, Patrícia
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Um procedimento aplicado há mais de um ano pela Santa Casa de Franca indignou a família da vendedora de doces Patrícia Conceição Guerreiro Andrade, de 40 anos. Patrícia, que estava internada há 40 dias no hospital, parte desse tempo no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), morreu na tarde de domingo. De acordo com seu ex-marido, o comerciante Adilson Peres de Andrade, 45, até o final da manhã de ontem, o hospital não teria informado aos familiares o motivo da morte de sua ex-esposa. Ele critica uma norma do hospital que estabelece que apenas o médico responsável pelo tratamento pode passar informações sobre o paciente. “Não concordo com o sistema do CTI da Santa Casa, onde médicos instensivistas ou que lá estão não dão informações sobre paciente. A médica, às vezes, não está, não deixou ninguém no lugar dela e nós ficamos sem notícia.” Adilson disse que até hoje não sabe ao certo o que sua ex-mulher tinha e o que de fato causou sua morte. Segundo ele, a primeira cirurgia pela qual Patrícia passou foi para “descolar” o intestino. A operação foi repetida mais uma vez, só que, dessa vez, foi colocada uma bolsa de colostomia. “Eu até agora não entendi porque não se colocou (a bolsa) na primeira operação. Seria uma cirurgia mais segura. Mas, enfim, eles colocaram na segunda cirurgia e mandaram Patrícia de volta para o quarto. Após dois dias, ela começou a entrar em choque séptico e, mais uma vez, a médica não estava na Santa Casa para dar informações”. Patrícia ficou 35 dias no CTI, com um infecção generalizada e faleceu nesse domingo. “Até agora eu não sei quais são os órgãos exatos que foram atingidos. A Santa Casa e a médica não me dizem. É angustiante. Uma tortura”. O comerciante diz ainda que telefonava para a médica que tomava conta do caso de Patrícia periodicamente e, nas vezes que teria conseguido falar, ela não teria dado informações precisas. “Eu ligava para a médica e ela dizia que ‘estava tudo bem’, tudo controlado.Mais nada.” Adilson reclamou na ouvidoria da Santa Casa e fez uma queixa ao promotor de Justiça Décio Piola sobre a falta de informações. “É desumano você ver um ente querido doente e não ter ninguém para te explicar o que se passa. Eles não poderiam me negar informações sobre o estado de saúde da minha ex-mulher”. A Santa Casa, por meio de sua assessoria de imprensa, disse ter dado toda a atenção necessária para o caso de Patrícia, tendo acompanhado de perto o estado da paciente. Além disso, disse ter disponibilizado o diretor-clínico por duas vezes e o coordenador hospitalar da instituição para conversar com Adilson, que não teria ido ao encontro dos médicos. Sobre a iniciativa de não permitir que outros médicos que não o responsável pelo paciente dêem informação aos parentes, o hospital diz que ela se estende a todos os 306 leitos da Santa Casa e não apenas ao do CTI. Nos casos em que o médico não está no hospital, a Santa Casa considera que é preciso paciência por parte dos parentes. O promotor de Justiça Décio Piola foi procurado três vezes ontem pela reportagem para comentar o assunto, mas não foi localizado.

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