Desafios vencidos


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TUDO À VENDA - Visitantes observam tapetes e peças de madeira pintadas que estão à venda na Mostra de Artes do CEI montada na Prefeitura
TUDO À VENDA - Visitantes observam tapetes e peças de madeira pintadas que estão à venda na Mostra de Artes do CEI montada na Prefeitura
O CEI (Centro de Educação Integrada) acaba de lançar novo desafio para 163 alunos com deficiência mental, visual, auditiva e síndrome de Down. Começou ontem a 1ª Mostra de Arte, no Paço Municipal. A exposição será permanente e permitirá que os próprios alunos vençam limitações e negociem os produtos que fazem no CEI, se relacionem com outras pessoas e defendam a qualidade do que produzem. Haverá um rodízio entre eles para o atendimento na exposição. Estão à venda tapetes, panos de prato, quadros e artesanato em madeira confeccionado durante oficinas na entidade. O CEI existe há dez anos e nasceu com o objetivo de atender pessoas a partir dos 14 anos que terminaram os estudos nas escolas públicas. Atualmente, são atendidos 193 alunos, 30 já estão inseridos no mercado de trabalho, empregados em empresas de calçados e supermercados. Os outros 163 participam das oficinas de tapeçaria, pintura em tela, em tecido e em madeira. Até o início da Mostra de Arte ontem, os produtos eram vendidos em feiras e bazares. Com a nova exposição, a comunidade poderá conhecer e comprar as produções do CEI todos os dias. “Muitas pessoas passam pela Prefeitura. Queremos fazer com que os alunos vivenciem não só o fato de estarem fazendo as peças, mas para que vendam e participem do dia-a-dia das pessoas. O objetivo seria a inserção social, que é um direito de todos, e a venda do material”, disse Nádia Macarini, diretora do CEI. Os artesanatos são vendidos a partir de R$ 3 (pano de prato) até R$ 150 (tapetes grandes). O lucro com os negócios será dividido: 60% destinado à aquisição de materiais e 40% dividido entre os alunos. A jovem Deliane Castro, 24, que tem retardo mental, está empolgada e já faz planos com o dinheiro que conseguir com a venda dos tapetes que confecciona. “Adorei a idéia da exposição. Mais pessoas vão conhecer o que produzimos”. Quando vende em feiras, costuma usar o dinheiro para comprar roupas e sapatos e sonha mais alto: comprar uma casa para ela. “Vou conseguir”. Deliane freqüenta as atividades do CEI há dez anos. A mãe dela, a dona de casa Catarina Bernardes, 51, disse que a filha ficou empolgada com a Mostra de Artes. “Desde que está na oficina de tapetes do CEI, mudou de vida. Ela ficou menos agitada, mais confiante. Minha filha está superfeliz com essa exposição, pois quando o público vê o que produz, ela se sente mais valorizada”. Gisele Esteves, 26, também apresenta deficiência mental. Ela é aluna do Centro há seis anos e faz oficinas de tapeçaria e pintura. A jovem é outra a fazer planos com o dinheiro que pode ganhar com as vendas de suas produções. “Vou oferecer para meus familiares e com o dinheiro quero comprar um computador e guardar um pouco de dinheiro no banco para mim e minha mãe”, disse. Os alunos do CEI são atendidos num prédio localizado no Bairro Cidade Nova. Hoje, 26 funcionários, entre professores especializados em educação especial, psicóloga, assistente social, professora de dança e professores de artes são responsáveis pelo atendimento. “A importância da inclusão está não só no mercado de trabalho, mas em toda a sociedade. Procuramos mostrar para eles o quanto são capazes. Temos de entrar com o coração, depois com a razão”, disse Marta Couto Neves, professora de artes. SERVIÇOS A 1ª Mostra de Artes funcionará de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas. Mas com a proximidade das férias de julho, a exposição continuará até amanhã e depois será retomada em agosto. A Prefeitura fica na Rua Frederico Moura, 1517, Cidade Nova.

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