Crianças se mudam; pais ficam na barraca


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As três crianças que viviam com os pais sob uma barraca de lona no Jardim Aeroporto I não estão mais no local. Elas foram levadas pelo Conselho Tutelar para a casa da avó paterna, que mora numa chácara. Os pais, Marcelo Soares Oliveira, 32, e sua mulher Sidnéia Ferreira, 34, permanecem morando na “cabana”. As mudanças - provisórias - na vida da família aconteceram um dia depois do Comércio da Franca publicar reportagem sobre as condições em que os cinco viviam. O casal alega viver há seis anos na barraca montada num terreno na região Sul. No local não há energia elétrica, água encanada nem banheiro. As necessidades são feitas no mato. A água usada para cozinhar, beber e tomar banho é doada por vizinhos ou recolhida da chuva. Os três filhos, de 12, 10 e 7 anos, estão fora da escola. Os pais alegaram que as crianças não têm como irem estudar sem banho, pois seriam discriminadas. O casal não tem emprego fixo e sobrevive com cerca de R$ 15 por semana, que Marcelo consegue com bicos, por isso não alugaram uma casa. Durante entrevista na semana passada, Sidnéia disse que o maior receio era ficar longe dos filhos. “Para levar meus filhos só me matarem”, repetiu ontem, chorando. Na manhã desta segunda-feira, ela e o marido ficaram desesperados com a chegada do Conselho Tutelar. Marcelo ficou nervoso e fez ameaças às equipes da Prefeitura, Conselho e reportagem. “A senhora do Conselho Tutelar falou que eu não ia ficar com os meninos, que iam tomar. Aí dá para ficar nervoso. Qualquer pai fica nervoso numa hora dessa”, disse. A conselheira tutelar Ely Vitoriano, que esteve na “casa” ontem, tomou conhecido do caso pelo jornal e imediatamente seguiu para o local. Realmente, a intenção era retirar as crianças do local. “Fui com essa intenção porque a situação é muito séria e não podia continuar. As crianças só continuaram com os familiares porque a avó paterna demonstrou interesse em cuidar delas até os pais se reorganizarem”, disse a conselheira. Apesar da mãe não continuar ao lado dos três, ficou mais aliviada de não terem sido levados para o abrigo para menores. “Acho bom dos meus meninos terem ficado com minha sogra, por eles não tirarem meus filhos de mim. Não quero perder eles”. A chácara na qual a avó é caseira fica próxima da barraca, no Jardim Aeroporto II. RESISTÊNCIA O Secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, também visitou a família nesta segunda-feira após ler a reportagem. A família poderia permanecer junta se aceitasse a opção oferecida pelo secretário: seguir para o Abrigo Provisório. O casal se recusou. Marcelo e Sidnéia preferiram deixar os filhos com a avó e permanecer na barraca. “Não tenho costume de ficar em Abrigo, em lugar fechado. Tenho costume de ficar em lugar aberto”, disse ele. Marcelo alega que receberá R$ 150 de um amigo daqui alguns dias e depois se mudará com a mulher e os filhos para Ibiraci (MG) ou outra cidade na região. “Parece que em Ibiraci tem casa por R$ 80 o aluguel e não precisa de fiador. Vou pegar o dinheiro e vou embora e colocar meus filhos na escola”. O casal pretende trabalhar na colheita de café para pagar o aluguel. O Conselho Tutelar continuará de olho na situação. A conselheira Ely Vitoriano disse que aproveitará as férias escolares de julho para o casal resolver se deixará Franca. Caso permaneça na cidade, o Conselho conseguirá vaga na escola para as três crianças. “Estamos tentando contato com parentes da Sidnéia em São Sebastião do Paraíso. Talvez se mudem para lá. Em agosto, os meninos estarão estudando com certeza”. O Cras (Centro de Referência e Ação Social) da região Sul também prometeu acompanhar o caso e avaliar a possibilidade de inserção em programas sociais. Uma das primeiras providências será conseguir os documentos de Sidnéia (leia mais no apoio).

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