O secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, esteve ontem no endereço da família. A visita foi motivada pela reportagem feita pelo jornal Comércio da Franca. Acompanhado da assistente social Carolina de Vilhena, do Cras - Sul, o secretário ofereceu vagas no Abrigo Provisório para que as crianças não fossem separadas dos pais. Mas o casal se recusou a ir. Roberto Nunes disse que não poderia forçar a família a se mudar. Confira o que o secretário disse.
Comércio da Franca - Quais providências foram tomadas em relação à família?
Roberto Nunes Rocha - De imediato, quando ficamos sabendo da situação, verificamos que realmente existe uma barraca muito precária armada aqui. E como nós vimos, pela própria situação do terreno, não é uma barraca armada há seis anos, mas há bem menos tempo. Conversei com os vizinhos e o Marcelo é conhecido como Marcelinho Cigano e a família dele sempre vem, volta e arma barracas. Essa região é conhecida como de ciganos e sabemos que a estada deles é periódica. Então esse Marcelo é confundido como cigano. Talvez não foi identificado ainda pela assistência social do Aeroporto justamente por essa característica, porque embora falem que não são ciganos, a vida deles é essa. Eles sempre estão indo para Capetinga, São Sebastião do Paraíso...
Comércio - E o Abrigo Provisório?
Roberto - O que é responsabilidade da Assistência Social é ver o que é necessidade. Se estão numa situação de falta de conforto e de dignidade é obrigação do poder público providenciar isso para eles. Então de imediato já providenciei junto ao Abrigo Provisório um lugar para toda a família. Lá eles terão mais dignidade do que morando aqui no meio do mato, da terra e como eles próprios dizem que impedem as crianças de freqüentar a aula porque chegam sempre sujas. Lá terão refeições, roupas, local para fazer higiene e demais orientações socioeducativas.
Comércio - O casal se recusa a ir para o Abrigo. O que pode ser feito?
Roberto - A Prefeitura não pode obrigar. O Abrigo Provisório não é cadeia. Nós não podemos obrigar ninguém a ser beneficiado, a ser assistido. Colocamos com muita responsabilidade para o Marcelo e a dona Sidnéia que isso é direito deles, que o poder não vai fazer nenhuma caridade, vai fazer o que é obrigação. Vamos disponibilizar um local mais confortável para que vivam com dignidade com as crianças e isso eles não estão tendo aqui nessa barraca.
Comércio - Uma vez que a família não tem residência fixa, poderá ser encaminhada para algum programa de renda?
Roberto - Sim. Vamos encaminhá-los, mas isso tudo depende deles. Nós não podemos obrigá-los em nada. Vamos esclarecer todos os direitos deles. Eles podem ser inseridos no Bolsa Família, Renda Cidadã ou Renda Mínima. São projetos de benefícios que poderão ajudá-los na questão da renda. Tem também a atuação efetiva dos Crass de orientá-los e inseri-los em algum programa de geração de renda para que possam conquistar a autonomia deles. Vamos acompanhar o caso.
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