Franca tem 210.014 eleitores aptos a votar em 5 de outubro, quando serão escolhidos o prefeito, o vice e os vereadores para os próximos quatro anos. Aritmeticamente, pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, a cidade ingressa a partir deste pleito no seleto grupo de cidades onde a disputa para a chefia do Poder Executivo pode ser definida em dois turnos.
Para se ter uma dimensão da relevância, em apenas outras 75 cidades brasileiras, de um total de 5.590 municípios onde haverá eleição, a disputa também é definida em dois turnos. É um clube fechado, onde para entrar há que se ter mais de 200 mil eleitores. Teria tudo para ser um grande momento da história política de Franca. Teria, assim mesmo, no futuro do pretérito, porque aposto minhas fichas como o prefeito da “Vila Franca do Imperador” será conhecido no dia 5.
Antes que os petistas mais xiitas comecem a me atacar com paixão de mais e argumento de menos, aviso que a questão é matemática e política, não ideológica. Basta verificar as regras da disputa em dois turnos, checar como foi a votação em 2004, ter paciência para consultar alguns arquivos e dar uma passada d’olhos no cenário atual para se chegar à mesma conclusão: Franca conhecerá seu prefeito já no domingo, dia 5.
Na última disputa municipal, em 2004, quando a definição ainda se dava em turno único, também eram cinco os candidatos. Sidnei Rocha (PSDB) venceu a disputa com 36,9% dos votos válidos. Bateu um novato bom de voto que viria dois anos mais tarde a ser eleito deputado federal (Marco Aurélio Ubiali, do PSB); um deputado estadual (Gilson de Souza, do DEM); o então vice-prefeito (Cassiano Pimentel, do PT); e um folclórico e conhecidíssimo radialista (Ruy Piéri, do PP). Foi num domingo, 3 de outubro de 2004, que a população de Franca decidiu nas urnas conceder a Sidnei Rocha o comando da Prefeitura. Choveu naquela tarde, mas nada que tumultuasse a votação. A abstenção foi normal, de 12,83%. Brancos e nulos somaram 7,63%.
Se Sidnei Rocha não tivesse conquistado um único voto desde aquele domingo e as margens de brancos, nulos e abstenções permanecessem a mesma, o tucano teria hoje 62.276 votos. Caso Gilson Pelizaro conseguisse manter todos os 21,10% de votos válidos conquistados por Cassiano Pimentel sem perder um único, somaria 35.610. Para que a eleição se defina no primeiro turno, é preciso que alguém consiga metade dos votos válidos mais um. Seriam necessários, portanto, 84.387 votos para que o prefeito fosse eleito dia 5. Descontados Sidnei e Gilson, haveria ainda 70.886 votos para serem distribuídos.
É claro que política não é tão previsível nem a conta é direta mas, ainda assim, algumas abstrações são elucidativas. Seria preciso que os outros três candidatos - o professor Cristiano Rodrigues, do PV; o ex-sindicalista e advogado Jorginho, do PSOL; e o camarada (é assim mesmo que o partido o define) Tito Flávio, do PCB, além do próprio Gilson, ficassem com 48.775 destes 70.886 votos para impedir uma vitória de Sidnei Rocha no primeiro turno.
Com todo respeito que qualquer candidato merece, é muito voto para três “novatos” quase desconhecidos do grande público. Cristiano Rodrigues, por exemplo, tentou se eleger vereador em 2004. Teve que se contentar com 566 votos. Jorginho nunca conseguiu votações expressivas em Franca em suas tentativas de ser deputado. E sobre o camarada Tito, nada posso dizer porque não tenho a mínima idéia de quem seja.
Na prática, sem adversários com densidade eleitoral capaz de fazer frente a tucanos e petistas, Franca terá o confronto em duas etapas antecipado. A polarização, desde sempre, se dará entre Sidnei Rocha e Gilson Pelizaro. Para nós, das Três Colinas, o segundo turno vai dando claros sinais de que fica mesmo é para 2012.
CORRÊA NEVES JÚNIOR
é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br
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