Um carro de som e cerca de 50 pessoas segurando faixas, apitos e pompons, com os rostos pintados, camisetas personalizadas e sede de Justiça. Foi assim a passeata realizada ontem de manhã na cidade para homenagear Lucas de Passos Freitas, 17, e pedir agilidade no processo contra seu assassino confesso Willian Pessoni, 27, que está em liberdade.
Lucas morreu no último dia 15 depois de ser baleado com quatro tiros em frente à porta da sua casa. O autor dos disparos foi Willian Pessoni. Para a polícia, o motivo do crime seria o fato de Lucas ter se envolvido com a namorada de Pessoni. Pessoni confessou ter atirado, mas nega que o motivo seria a namorada. Segundo ele, o crime ocorreu em legítima defesa.
A manifestação começou por volta das 10h30, na praça da Rua Capitão José Pinheiro de Lacerda, no Jardim Aeroporto I, perto do local do assassinato. Organizado pelo Sindicato dos Sapateiros, o manifesto recebeu ajuda da Polícia Militar, que escoltou os participantes. A divulgação foi feita em algumas escolas da cidade e por meio da entrega de panfletos explicativos.
A pé, em bicicletas, carros ou motos, os familiares, amigos e pessoas que se sensibilizaram com a história percorreram os bairros, seguindo o trajeto da passeata até o Centro da cidade. Na Praça Nossa Senhora da Conceição, os irmãos da vítima ocuparam a Concha Acústica, paralisando a abertura da Virada Esportiva que acontecia no local, para reivindicar a igualdade dos direitos.
Pelo microfone repetiam o grito de guerra “Paz, justiça e cadeia”.
Para a irmão da vítima, Tiago de Freitas Passos, 24, mesmo com poucas pessoas, valeu a pena sair às ruas. “Fomos aplaudidos e muitas pessoas pararam para nos abraçar. Foi muito importante. A gente não pode ficar parado”. Lúcelia Valadão Freitas, mãe de Lucas, também não se arrepende e vê na passeata uma maneira de beneficiar outras pessoas. “É um trabalho de formiguinha, mas vale a pena sim. Afinal ninguém está livre de também viver uma situação como essa. Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer comigo. Meu filho me surpreendia em tudo, sinto muita falta dele”, desabafa.
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
Logo após passeata, os irmãos Tiago e Claudinéia Passos Freitas, 27, participaram ao vivo do programa A voz do Sapateiro transmitido das 12 às 14 horas pela Rádio Difusora AM. No ar por pouco mais de cinco minutos, eles contaram como foi o protesto e aproveitaram a oportunidade para dizer aos ouvintes como se sentem depois da morte e o que esperam da justiça. “Não temos raiva do Willian. Estamos de coração aberto e não desejamos mal a ele. Queremos apenas que ele coloque a mão na consciência e se arrependa. Em relação às autoridades, a gente espera que tomem providências para que ele pague pelo que fez”, disse ela.
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