Casal e filhos vivem numa barraca de lona. Na rua


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É UM LAR? - Marcelo Oliveira, a mulher Sidnéia Ferreira e os três filhos Cassandra, Célio e Juscelino são vistos em frente à barraca de lona onde moram
É UM LAR? - Marcelo Oliveira, a mulher Sidnéia Ferreira e os três filhos Cassandra, Célio e Juscelino são vistos em frente à barraca de lona onde moram
Uma barraca de lona montada num descampado na Rua Alameda das Figueiras, no Jardim Aeroporto I, sobre o chão de terra, com formigas e mato é a moradia de cinco pessoas em Franca. Lá, moram Marcelo Soares Oliveira, 32, sua mulher Sidnéia Ferreira, 34, e os três filhos de 12, 10 e 7 anos. A família vive no local há seis anos sem energia elétrica, sem água encanada e sem as mínimas condições de higiene. Não há banheiro no local e as necessidades são feitas no mato. Eles não tomam banho todos os dias, apenas quando recolhem água da chuva, “ganham” dos vizinhos para esquentar no fogão à lenha ou conseguem usar o chuveiro emprestado de um comerciante do bairro. Os moradores vieram de Minas Gerais. A iluminação no local é feita apenas pelos postes da rua. O espaço não tem móveis. Dois colchões de solteiro são colocados no chão para os cinco moradores dormirem juntos. Uma lona empoeirada fica no chão para os familiares se sentarem. A água que conseguem fica armazenada em tambores de plástico para ser usada na hora de lavar as louças, cozinhar e matar a sede. Um fogão pequeno ocupa um canto da barraca e é usado para preparar arroz e feijão quando há gás. Mosquitos, calçados e roupas ficam espalhados pelo local. Três cachorros e três galinhas dividem a “casa” com os cinco moradores. Além de viverem sem água, energia, banheiro e alimentação decente, as crianças são privadas de outro direito: o de aprender a ler e escrever. Os três filhos estão em idade escolar, mas não estudam. Passam o dia na barraca ao lado da mãe ou na casa da avó assistindo à televisão (funciona com bateria) ou brincando com terra e galinhas que criam. Os pais temem que os filhos sejam discriminados se forem mandados para a escola sem banho. “Meus filhos não estão na escola porque não temos lugar de ficar. Pelo menos, dentro de uma casa fica mais fácil ir para escola, voltar, tomar banho, ter roupinha limpa para colocar para vestir e ir para a escola. Assim não tem jeito”, disse o pai Marcelo, que só consegue bicos num ferro velho e tem recebido cerca de R$ 15 por semana. Os pais também são analfabetos. Sidnéia nunca foi à escola e Marcelo interrompeu os estudos já nos primeiros anos. O chefe da família já trabalhou na panha de café e hoje faz serviços num ferro velho. Sidnéia era empregada doméstica, mas disse que, além de não conseguir emprego, não tem com quem deixar os filhos para trabalhar. À PROCURA DE UM TETO O casal pensa em se mudar para Ibiraci (MG) ou outra cidade menor na região e tentar alugar um imóvel por um preço mais acessível. “Não tem como a gente alugar uma casa. Tem dia que tenho dinheiro, tem dia que não. Para alugar uma casa, a gente precisa de fiador e eu não tenho nenhum”, disse Marcelo. [FOTO2] A família alega não receber benefício do governo. Sem muitos recursos, a mãe recorre à ajuda de voluntários conseguir alimentar os filhos. “Saio para pedir comida pelos bairros porque não posso deixar meus filhos passarem fome. Visto roupa ganhada. Roubar não posso, então tenho de pedir, é mais bonito. Quero mudar de vida, mas antes de ter uma casa fica difícil”, disse Sidnéia. Com os filhos fora da escola e vivendo sem condições adequadas, o maior receio de Sidnéia é perder a guarda das crianças. “Tenho medo. Filho não é cachorro nem gato para a gente dar. Comendo pedra ou comendo pau, têm de estar junto da mãe e do pai. Para levar meus filhos, só se me matarem primeiro”.

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