Em doze meses, o número de empresas francanas que vendem produtos para outros países cresceu 20%. Saltou de 175 em 2006 para 210 em 2007. Mas este aumento não se traduziu em lucros. Mesmo com um número maior de empresas exportando, o volume em dinheiro comercializado pela cidade com o mercado exterior encolheu 1,63%. É o que aponta um estudo feito pelo Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior) do Banco Central.
O Siscomex é um sistema desenvolvido em 1993 pelo Banco Central para monitorar o controle das operações de comércio exterior. Conforme os dados deste sistema, 190 empresas em Franca exportavam seus produtos em 2004, passando para 194 no ano seguinte. A quantidade caiu para 175 em 2006, subindo novamente para 210 no ano passado.
Para o agente exportador e professor universitário de comércio exterior, Cassiano Pimentel, a diversificação das empresas é um dos motivos deste aumento. “Hoje já podemos ver a chegada de indústrias de lingerie, perfumaria e higiene pessoal francanas ganhando seu espaço em outros países”.
Apesar da iniciativa destes setores, o calçado ainda é mola-mestra do mercado consumidor estrangeiro. “Acredito que os negócios ainda girem de 80% a 90% no mercado de calçados e seus derivados”, disse Cassiano.
Outro fato apontado pelo agente como causador do aumento deste número é uma nova estratégia de vitrine dos produtos para o investidor estrangeiro. “Antigamente, as empresas daqui produziam para oferecer o produto sem a garantia de comercializá-lo. Hoje, já existem agências que pesquisam a demanda internacional para que os empresários saibam o quanto e como produzir, o que facilita o caminho”.
A diversificação e a entrada de 35 novas empresas no mercado internacional não garantiram um aumento do volume exportado por Franca, que caiu. Em 2006, as empresas do município exportaram o equivalente a R$ 363,3 milhões. No ano passado, foram R$ 357,4 milhões.
Para o economista Hélio Braga Filho, o causador deste efeito contraditório é o preço agregado dos produtos. “Até podemos exportar mais em volume, mas o preço é menor, o que acaba gerando essa queda em valores. Para se ter idéia disso, a pauta exportadora de Ribeirão Preto,por exemplo, tem menos empresas, mas os produtos são mais diversificados com valor maior, com isso o volume deles consegue superar e muito o nosso”, disse.
Para Hélio Braga, a queda de quase 2% nos valores exportados não afeta a economia de maneira significativa.
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