Sábios conselhos


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Termina hoje o primeiro ano de mandato do segundo Conselho de Leitores do Comércio da Franca, órgão que envolve leitores do jornal e ouvintes da Difusora para o exercício da crítica sobre a produção diuturna de informação que o Grupo Corrêa Neves de Comunicação oferece à comunidade regional. Não há a rigor, nada pior neste mundo que elogio próprio. Muito menos, crítica confiável. Quem é que gosta de ser analisado, corrigido, repreendido? Este Comércio, embalado por sua história de 93 anos, várias pesquisas assinadas pelo Ibope comprovando vasta aceitação da população regional para com sua atuação, profissionais competentes contratados com salários e benefícios sempre em dia pilotando equipamentos de primeiro mundo, poderia, se quisesse, embalar-se como empresa inatingível, alheia às gritas sociais, indiferente ao clamor de seus leitores e das pessoas comuns. Poderia, mas preferiu o duro caminho das pedras. Tínhamos dúvidas, sim. Será que mostrar em capa corpos mutilados em acidentes de trânsito urbano ou rodoviário para fazer ver às pessoas que é preciso dirigir com cuidado, vale? Publicar dramas sociais de famílias que, desprovidas de tudo, vêem filhos adoecerem, comerem barro, se dedicarem às drogas, deixarem a vida reta em prol do banditismo, pode? Mostrar fotos, mesmo desfocadas, de menores consumindo drogas em bairro da cidade, para dizer que isso existe, que a maioria dos pais não sabe onde está seu filho e nem com quem, pode valer? A julgar por alguns pontos-de-vista, não: “Sensacionalismo barato, para garantir venda de exemplares”. A julgar por outros, sim: um meio de comunicação responsável tem o dever de ajudar a melhorar a qualidade do conhecimento sobre os fenômenos sociais. Este Comércio é independente, financeiramente. Tem uma história de lutas e demonstra insistentemente compromisso com a verdade, o que lhe confere credibilidade. Poderia decidir quaisquer questões, a exemplo das mostradas, isoladamente. Fez assim por muito tempo, com baixíssima ocorrência de erros, mas, em 2006, decidiu que tinha de compartilhar a busca de soluções. Decidiu que queria, dentro de casa, outras opiniões. Divergentes, principalmente. Surgiu o Conselho de Leitores. Não havia experiências similares e o Comércio teria que criar tudo. A primeira e mais importante decisão foi tomada: o grupo tinha que representar o universo multifacetado de quem lê o jornal todos os dias; idade, sexo, classe social, ocupação profissional. E a segunda decisão, objetiva e dolorosa: os integrantes teriam que ter, garantido, o direito de falar o que quisessem e o jornal teria a obrigação de ouvir, qualquer que fosse o tom do discurso. E a terceira, ainda mais complicada: praticar, cortando da própria carne, se necessário. As primeiras reuniões foram interessantes. Uns – os integrantes do grupo escolhidos em eleição democrática dentre os que se candidataram (20 e poucos apenas dos quais 18 ficaram) – olhando fixamente os outros – diretores e editores do jornal – à mesma mesa. Algumas das primeiras falas tímidas dos primeiros integrantes (Rita Marta Mozetti Silva, Adenair Dias de Andrade, Ana Célia Nascimento Borges, Juliana Sanches Passos, Junia Flavia Pereira Torquato Franco, Joelcy R. Passos de Vasconcelos, Paulo Rubens Gimenes, Marcelo Pini Prestes, Alexandre Henrique Leonel, Ricardo Veríssimo Júnior, Adilson de Almeida Manso, José Ramon Ribeiro) ainda ressoam: “gostamos muito disso – entendiam que tinham que tatear no início do processo de interação – mas não concordamos com aquilo, com aquilo outro, com mais aquilo e mais aquilo outro...”. Primeira gestão cumprida e reeleição praticada, todos se sentiram com fôlego para aprovar um Regulamento Geral para nortear direitos e deveres – Regulamento, aliás, que tem servido para que outros jornais brasileiros bebam da experiência do Comércio e criem conselhos similares – até o outro processo eleitoral, que renovou 14 conselheiros (dentre mais de 200 interessados em participar), mantendo quatro para garantir que a “caixa-preta” de conhecimentos não se perdesse. Pois bem. Os atuais conselheiros (Camila Beghelli Schirato, Dinamar Lacerda Domiciano, Luis Eduardo Marques Ferreira, Rosa Santa Batista, Sérgio Coelho Lanza, Tiago Monteiro Martins, Carlos Eduardo Gimenes de Matos, Tatiane Cristina Venuto, Marcos Donizete de Souza, Thais Aparecida Machado, Ana Célia de Freitas, Irinéa Donizete da Silva, Margaret Aparecida do Nascimento Leite) terminam mandato hoje e serão informados, agora de manhã, que merecem reeleição, em função da correção com que empreenderam a tarefa que deles se esperava. Os três muito experientes (Alexandre Henrique Leonel, Ana Célia Nascimento Borges, Juliana Sanches), não. Aliás, Alexandre escreveu interessante texto que publiquei ontem, à página A2 (leia em http://www.comerciodafranca.com. br/materia.php?id=31363), em que se despede. Não haverá ruptura, no entanto. A exemplo dos primeiros conselheiros, também estes permanecerão abertos a discutirem, no dia-a-dia de trabalho ou de suas vidas cidadãs, como é difícil fazer jornalismo diário. E farão isso sem qualquer chance de serem contestados, já que exercitaram o pesado fardo que lhes coube porque quiseram. Nenhum deles recebeu nada para dedicar tempo e paciência a ajudar um grupo de comunicação hegemônico a não ser surdo e a que, mesmo tentado, não viesse a praticar onipresença ou onipotência; que se mantivesse só com a verdade, porque isso é tudo e basta... A voz do povo continua, efetivamente, a voz de Deus. Hoje, mais do que nunca, nós do Comércio – extensivamente à Rádio Difusora, que do ano passado para cá também se tornou alvo dos conselheiros – estamos convictos disso... NOTA ÚNICA Vira e mexe alguns conselheiros falam sobre a existência de um organismo destes nas empresas onde atuam. Dividem-se sobre conviverem com gente criticando, dentro de casa. A depender deste Comércio, um único conselho: tenham sim, um Conselho. Luiz Neto Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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