Parece literatura, mas, em Franca, um adolescente de 13 anos descobriu que vive há sete anos com um pedaço de serra no antebraço direito. Diego Damião Ferreira Souza sofreu um acidente doméstico e, segundo sua mãe, Nilza das Graças Souza, os profissionais do Pronto-Socorro “Doutor Janjão” costuraram o ferimento sem uma verificação mais apurada, deixando o metal no corpo do garoto.
Em 2001, Nilza, Diego e mais dois irmãos foram morar em uma casa que estava em construção na Avenida Jaime Telini, no Ana Dorothéia. Para terminar a obra, o pedreiro usava uma espécie de serra chamada maquita e modelava as pedras que iriam compor o chão do cômodo. Por algum motivo desconhecido, um pedaço desta serra se desprendeu e feriu o braço de Diego.
O objeto, que se assemelha a uma faca, acertou próximo ao cotovelo direito do garoto. Imediatamente, Nilza o levou para o pronto-socorro, onde ele recebeu os primeiros atendimentos.
Entretanto, conforme o relato da mãe, o médico plantonista não teria sequer tocado em Diego, fazendo uma análise superficial do ferimento e determinando a sutura do corte. “Tinha muito sangue, eu não sabia que tinha entrado alguma coisa lá. Além disso, não entendo de medicina”, disse Nilza, que não se recorda quem era o médico e nem soube descrevê-lo.
Tudo resolvido na época, até que quatro anos mais tarde, Diego começou a reclamar de dores no local próximo à cicatriz do corte. Nilza achou que fosse alguma batida ou queda simples e tratou o caso com analgésicos comuns.
Mas, com o passar do tempo, as dores e reclamações de Diego aumentaram e preocuparam Nilza. Em meados de agosto do ano passado, ela decidiu levá-lo novamente ao médico. Foi quando veio a surpresa. Um raio-X revelou um corpo estranho de cerca de quatro centímetros cravado na musculatura do braço do adolescente. “Na hora, eu lembrei da serra”, disse a mãe.
Diego falou, em entrevista à Rádio Difusora AM, que as dores o atrapalham. “Não consigo escrever direito nem andar de bicicleta”. Nilza tem doença de Chagas e vive com um auxílio-doença no valor de um salário mínimo. Desde a descoberta, ela luta para inserir o filho na fila das operações eletivas e reclama da demora no atendimento. “Já fui pra um lado, pro outro e não resolve o problema. É ruim que a gente gasta com ônibus o dinheiro que não tem”, disse ela, sem precisar por quais unidades teria passado. “Meu medo é que isso traga algum problema mais sério”.
O secretário municipal de saúde, Alexandre Ferreira, afirma que a primeira vez que Nilza procurou o serviço de saúde foi no dia 11 de março deste ano em uma UBS. Oito dias depois, o paciente foi encaminhado ao ortopedista do NGA que pediu um novo raio-X. No dia 9 de junho, foi feita uma reavaliação por outro ortopedista que solicitou cirurgia no dia 25 de junho. A data da operação ainda não foi acertada pela Secretaria de Saúde. “Este procedimento é normal para uma cirurgia que não é emergência”, disse o secretário.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.