A estátua do Trabalhador Francano “mora” há 49 anos na Praça 1º de Maio. Muitas pessoas passam por lá todos os dias, mas nem notam a sua presença. Assim como ela, outros 36 monumentos, obeliscos, estátuas e bustos estão espalhados pela cidade, expostos à ação do tempo e do próprio homem. Enquanto muitos destroem, um constrói: o artesão, restaurador e artista plástico Maurício Olímpio da Silva, 50 anos, trabalha na restauração destas peças com dedicação e carinho de pai. “Adoro cuidar dos monumentos. Desligo do mundo quando estou trabalhando neles.”
Esta semana a estátua, que é feita de bronze, chamou a atenção de quem passou pelo local. Maurício, criador da primeira imagem brasileira de Santa Gianna, estava lá em cima dando um tratamento especial com abrasivos específicos que deixaram o Trabalhador Francano mais limpo e reluzente.
O artista explica que ao longo dos anos muitos monumentos receberam tratamento inadequado. “As várias camadas de tintas, latex e cal contribuíram ainda mais para o desgaste das peças escondendo os detalhes e as características originais”, ressalta.
Para tentar devolver a originalidade às estátuas, Maurício faz um processo de limpeza geral que começa com a remoção das camadas de tinta, depois o polimento e alisamento da superfície, finalizando com um brilho para ficar com uma cor natural.
Neste resgate da história, o restaurador se depara com muitos desafios. O Discóbulo ou Lançador de Disco, de 2 metros de altura que fica dentro da fonte na Praça 1º de Maio, foi alvo de vândalos e estava com as mãos quebradas, além de não apresentar a cor original. Neste caso, o artista precisou reconstituir as mãos através de uma foto obtida no Museu Histórico. “A estátua é feita de resina com pó de mármore. Utilizei o mesmo material para fazer a modelagem no meu ateliê. Depois de várias cópias, fiz a incrustação na peça”, explica, destacando a sua persistência e o seu perfeccionismo.
O homem bonito, alto e musculoso também ficou com a sua cor natural, que tem uma conotação de mármore. Maurício lamenta que as quatro gárgulas que cercam a estátua não puderam ser restauradas como deveriam. Além disso, dois dias depois de serem pintadas uma delas apareceu suja.
Neste trabalho incansável pela preservação da história, Maurício conta com a ajuda do sobrinho, Murilo Gimenes, de 19 anos. O trabalho do artista é gradativo. Em 2006, ele restaurou as estátuas da fonte luminosa da Praça Nossa Senhora da Conceição, que representam as quatro estações do ano. No ano passado a Praça Carlos Pacheco, em frente ao Cemitério da Saudade, recebeu tratamento VIP. Na próxima semana a restauração continua no local, desta vez na capela e no pórtico do cemitério.
Além de preservar, Maurício faz um trabalho de mensuração e está catalogando todas as peças, através de fotos e avaliação técnica. “A Estátua da República, que hoje está na Praça Barão de Luca, na Estação, sofre com a ação do tempo, fica debaixo das árvores, não toma sol e está com fungos. Existe um estudo para voltá-la para o lugar de origem, que é o canteiro central da Praça Sabino Loureira na Rua Voluntários da Franca”, disse.
A restauração dos monumentos faz parte do projeto de revitalização das praças, que a Prefeitura desenvolve no município. O secretário de Obras, Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, explica que é um trabalho lento, sem cronograma específico. “A atividade é contínua, mas depende de verba. A nossa intenção é preservar todas as praças (iluminação, plantio, bancos, pintura) com o objetivo de recuperar a qualidade visual, construtiva e arquitetônica dos espaços públicos”, disse, ressaltando que algumas empresas da cidade colaboram financeiramente, mas o apoio ainda é tímido.
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