Cada coisa a seu tempo


| Tempo de leitura: 2 min
Assim escreveu o poeta: “Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. Não florescem no inverno os arvoredos. Nem na primavera. Têm branco frio os campos”. Assim creio ser a vida. Numa fuga necessária ao estilo cáustico, irônico e irreverente, hoje o tempo é de despedida. Amanhã, na sala de reuniões do jornal Comércio da Franca reuno-me pela última vez como membro do Conselho de Leitores deste que considero, um dos mais sérios veículos de comunicação do Brasil. Portanto, neste momento o tempo é de agradecimentos, e os farei aqui, neste espaço que tenho ocupado todas as sextas-feiras, graças à gentileza do oditor de opinião, Luiz Neto. Agradecimentos pela oportunidade de participar de um projeto tão singular. Um projeto arrojado repleto de desafios e novos conhecimentos. Poucas oportunidades na vida serão como esta. Tomar parte não só da mesa farta de nossos encontros, mas principalmente estar ali e poder lapidar a capacidade de ouvir e assimilar o pluralismo das opiniões. Não foram reuniões com temas fáceis. Porém não faltaram motivos para o riso, para a gargalhada e até para as lágrimas. Muitos foram os momentos em que opinar era quase tão difícil quanto superar o nó na garganta diante da imagem, do fato, da notícia nua e crua. O tempo é de reconhecimento. Reconhecimento de que ser membro do Conselho de Leitores do Comércio da Franca, me permitiu ser reconhecido. Inúmeras foram às vezes em que alguém disse - “Você trabalha lá no Comércio, não é?”; ou ainda: “eu sempre vejo você no Comércio”. Há algo de mágico nas páginas deste periódico, algo capaz de fixar num ponto qualquer do cérebro a informação nele veiculada. Deve ser o cuidado em expressar sempre a verdade, ou o esforço para garantir que ela prevaleça. O tempo também é de avaliações e serão muitas. É impossível não perceber que o jornal mudou. É impossível não notar que em muitas destas mudanças há a opinião de algum conselheiro. Não foi sempre que a unanimidade reinou. Nem parecia ser esta a intenção. Mas os momentos de consenso também existiram. Éramos muitos, de todos os cantos da cidade. Gente da Franca, nem sempre filhos da terra, mas que por ela nutrem amor filial. Talvez por isso tenha sido tão inacreditavelmente bom participar de tudo isso. O tempo também é de silenciar. Silenciar para não agradecer apenas a alguns e com isso omitir tantos outros que por tanto tempo me permitiram viver a liberdade de expressão com plenitude. Então, a prudência recomenda dizer obrigado a todos e até breve, porque o tempo agora é de recomeçar, buscar novos desafios e vencê-los. Alexandre Henrique Leonel Farmacêutico, integra o Conselho de Leitores do Comércio

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários