Movida a sorrisos


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MAGIA - Maria das Graças Silva, vestida de palhaça Paçoquinha, faz encenações com o boneco Chocolate num terreno da Avenida César Martins Pirajá, no Jardim Aeroporto III, onde mora sol
MAGIA - Maria das Graças Silva, vestida de palhaça Paçoquinha, faz encenações com o boneco Chocolate num terreno da Avenida César Martins Pirajá, no Jardim Aeroporto III, onde mora sol
Maria das Graças Silva tem 57 anos, mas alma de menina. Ela é a alegria em pessoa. Sempre alto-astral e extrovertida, encontrou uma profissão que lhe permite levar diversão aos outros. Há sete anos, ela revive um sonho de infância - o de ser artista de circo - e anima festas vestida de palhaça Paçoquinha. É apaixonada pelo que faz. Nem mesmo depois de ter câncer no fim do ano passado, desistiu de arrancar gargalhadas. O marido dela, o vendedor aposentado Augusto Alves, 66, a acompanha nas festas e atua como DJ das apresentações e monitor das crianças. Em agosto, Maria das Graças fez uma cirurgia para retirada do tumor maligno no intestino, passou por seis meses de quimioterapia e está em manutenção do tratamento. Apenas 25 dias depois de ser operada, ela já havia retomado a agenda de shows. “Fazer as pessoas rirem não é muito fácil. Mas por mais que a doença tenha me abalado, me deixado preocupada, procuro estar sempre sorrindo e alegrar as pessoas”. Se depender dela, não deixará as animações tão cedo. “Gosto de levar alegria às pessoas. Por mim, eu acordava palhaça e dormia palhaça. Se dependesse de mim, jamais deixaria de ser a palhaça Paçoquinha. Gostaria de viver eternamente assim”, disse Maria das Graças, que já trabalhou como cabeleireira, manicure, ourives e vendedora. A idéia de animar festas nasceu a partir de um desejo de criança. Desde pequena, Maria das Graças sonha trabalhar no circo. Aos 7 anos, fazia apresentações no quintal de sua casa. Colocava lençóis e cobertas sobre o varal para imitar a lona do circo e brincava de malabares e dançava para os vizinhos assistirem. O “ingresso” eram três palitos de fósforo sem riscar. “Minha mãe nem comprava fósforos”, brinca ela. A vontade de estar nos picadeiros é tão grande que Maria das Graças já tentou fugir com circos que passaram pela cidade quando era criança. “Tentei ir embora com um dos circos, mas minha mãe descobriu e ficava de olho em mim”. Ela disse que já foi convidada para ser domadora no Circo do Beto Carreiro e só não embarcou na aventura porque o marido e a filha que trabalhariam como cuidador de cavalos e bailarina, respectivamente, não aceitaram e ela não quis seguir sozinha. Mas não desistiu da idéia. “Se um dia der certo, ainda vou embora com algum circo. Eu adoro crianças e animais e sei que tem bastante nos circos”. Os espetáculos caseiros duraram cerca de oito anos e foram interrompidos depois de um incidente. Ela estava com 15 anos e havia pego emprestado um vestido da vizinha para o show. Com o suor durante a atuação, a roupa ficou grudada e presa ao seu corpo. Sua mãe precisou cortar o vestido com tesoura para conseguir tirar. Ela apanhou muito. Os vizinhos vaiaram a cena. “Depois daquela noite, parei com tudo”. VIAGEM NO TEMPO O desejo de viver o mundo do circo reacendeu aos 50 anos. Maria das Graças, com ajuda do marido, confeccionou macacões coloridos e bonecos para fazerem animações em festas. Os espetáculos duram mais de três horas e são recheados de brincadeiras. [FOTO2] Paçoquinha e o DJ Augusto fazem de cinco a seis apresentações por mês. Algumas são voluntárias. O casal disse que o dinheiro ajuda nas despesas de casa, mas continua com o trabalho por paixão. “Por causa dos meus problemas de saúde tenho muito mal-estar, mas quando o dia da animação está chegando, fico empolgada, esqueço dos meus problemas. Durante a apresentação, a dor vai embora. Eu me divirto também”, disse Maria das Graças. Os contatos para contratar a palhaça Paçoquinha e o DJ Augusto são 3701-0589 ou 9186-7044. É preciso ligar com, no mínimo, um mês de antecedência para conseguir vaga na agenda da dupla.

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