Que saudades que eu tenho de ouvir um galo cantar! Saudades dos galos que cantavam apressando a madrugada e alertando sobre as horas de céu claro que se aproximavam. Os galos marcavam o final dos sonhos. Talvez por isso, esses seresteiros da madrugada foram banidos das grandes cidades, onde é preciso sonhar muito para agüentar o tranco.
E se a vida na cidade, entre asfalto e concreto, já é complicada para os seres humanos, certamente para os galos deve ser pior ainda. Em alguns bairros, sítios e fazendas da região ainda é possível encontrar galos que acordam bem cedo para despertar a vizinhança. Porém, nas grandes cidades, a ave é incomodada ao desempenhar seu papel na natureza. Até em Franca é dura a vida de um galo hoje em dia. Veja o que aconteceu quando Antônio Chiarelli, também conhecido como ‘Barba’, motorista de caminhão, resolveu criar um no quintal de sua casa, no Bairro Estação.
Taludo, corpulento, o galo, que ganhou o nome de Pedrão, tinha tudo para andar pelas rinhas da vida a massacrar adversários em busca de respeito. Em vez disso, incentivado pelo seu novo dono, preferiu usar o canto como forma de notoriedade, só que o incomparável vozeirão não agradou a todos, principalmente pelos horários em que Pedrão desandava a executar seu monólogo vocal.
Convenhamos, alguns galos, atrapalhados pelas luzes da cidade, não têm muita noção de hora. Cantam quando ainda é noite cerrada e vão repetindo o corocócó a noite inteira. Por isso, teve briga na vizinhança. Em maior número, os incomodados prestaram queixa na polícia. Alguns poucos vizinhos tentaram defender Pedrão e chegaram até a preencher um abaixo-assinado pedindo sua permanência no terreiro.
Nada adiantou. Ameaçado de virar canja e marcado pela polícia, Pedrão voltou ao sítio de onde saiu e lá, certamente, foi recebido com festa pelas galinhas. Em seu território, Pedrão terá sucesso garantido como tenor das madrugadas. Infelizmente, em cidades grandes, galo é animal em extinção e não pode mais cantar. Ninguém reclama do barulho infernal de carros, caminhões e motos com escapamentos abertos e suas descargas poluentes, além dos veículos com caixas de som ensurdecedoras, que podem ocasionar, de surdez até os mais graves distúrbios neuropsíquicos, sem contar os riscos de hipertensão arterial e enfarte; também reduz as resistências físicas do homem e inibe a concentração mental.
Bem melhor o canto dos galos. Hoje, parece estranho, pode até ser desafinado, mas ele é, na verdade, um relógio, ainda que talvez você não creia nisso. Podem-se calcular, numa fazenda, os intervalos dos cantos. Sempre serão com a precisão de mais ou menos uma hora entre um e outro.
Talvez por isso eu sinta saudades daquele tempo que se rezava depois da ceia e se beijava a mão dos pais. Saudades de ver a roupa estendida no capim ou baixo matagal, apanhando o sol da brancura, o que se dizia roupa a corar. Saudades da pequena Franca de minha infância, da seresta dos grilos trovadores ao amanhecer e dos galos fazendo barulho com seu cantar.
ANTÔNIO COUTINHO
O lançamento do livro Couro Cru, do jornalista e escritor Antônio Coutinho, será amanhã, dia 27, às 20 horas, no Salão de Convenções da CTBC. Privilegiado, já estou lendo essa obra de suma importância não só para Franca, mas para todo o segmento fabril. Coutinho descreve em seu livro, de uma forma clara e acessível, as origens do pólo calçadista de Franca, atividade industrial que projetou a cidade no cenário nacional. O historiador Chiachiri Filho, que assina o prefácio de Couro Cru, reforça a importância dessa obra, ao escrever que esse trabalho de Coutinho veio para incrementar a rica historiografia francana.
O CONTO BRASILEIRO HOJE
Nossos agradecimentos à jornalista, escritora e psicóloga Vanessa Maranha, que resenhou no caderno Nossas Letras do último domingo, de forma brilhante, a antologia O Conto Brasileiro Hoje. Agradecimentos também à jornalista e escritora Sônia Machiavelli, que completou o caderno de uma forma especial, traçando minha biografia. Esse livro de contos, com minha participação, encontra-se à venda na Livraria Martins, ao preço de R$ 20,00. De acordo com Célia Balduino de Andrade, responsável pelo setor de literatura da Martins, essa antologia, com 16 contos de renomados escritores brasileiros, está tendo muita procura e são poucos os exemplares que ainda restam. A RG Editores, de São Paulo, que atua no mercado editorial brasileiro há 21 anos é a responsável por esse lançamento.
NEGATIVO
Diante da carestia impondo novos hábitos aos consumidores, é comum a gente ver nos supermercados, prateleiras com produtos como geléias, chocolates, dentre outros produtos considerados supérfluos nesses tempos bicudos, com preços reduzidos. Só que é preciso ficar atento à data de validade. Alguns supermercados até advertem, colocando junto ao preço a inscrição: “produto com a data de validade próxima do vencimento”. Mas nem todos agem assim, por isso, todo cuidado é pouco. Como diz o ditado, quando a esmola é grande...
POSITIVO
Odair Tristão, secretário de Governo e chefe da Guarda Civil, assim que tomou conhecimento, através desta coluna, sobre uma multa irregular aplicada contra uma motorista, no Centro de Franca, entrou em contato e prontificou-se a resolver o caso com a máxima urgência. A professora Silvana havia estacionado seu carro próximo à catedral e foi multada por um guarda municipal, mesmo tendo no painel do carro o cartão da área azul que lhe dava o direito de permanecer mais 45 minutos no local. Na ocasião, o guarda alegou não ter visto o cartão, mesmo assim, de acordo com ele, ordens superiores não permitiam que ele rasurasse o talonário, por essa razão, mandou a professora recorrer. Providências imediatas foram tomadas pelo secretário de Governo. Ponto positivo.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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