Até o fim de dezembro de 2008, uma área equivalente a 56 mil quarteirões de cana-de-açúcar deve ser queimada em cinco usinas na macrorregião de Franca. A prática é usada para facilitar o corte nas plantações e valerá até 2017 quando todo o processo deverá estar mecanizado. Durante o inverno, as queimadas não estão presentes apenas na zona rural. Para eliminar o mato em terrenos baldios, as pessoas recorrem ao fogo. Com isso, os moradores das cidades também sofrem com o problema. Nesta época do ano, os chamados aos bombeiros para controlar as chamas em áreas vagas costumam crescer. Mas a corporação e sua assessoria de imprensa não forneceram à reportagem as estatísticas deste tipo de ocorrência.
Neste ano, a queima da cana-de-açúcar atingirá 70% da plantação. A Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) estima que o volume corresponderá a 56 mil quarteirões de 10 mil metros quadrados cada. A área é semelhante a 56 mil gramados do Estádio Lanchão. Apesar do volume, Vera Barillari, física da companhia, diz que não há motivo para alarde. “É claro que existem os danos da queima à saúde pública. Mas o volume é diluído em uma grande extensão e equivale à apenas 5,6% da área total da nossa região”.
Para amenizar os prejuízos da queima, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo proibiu desde o início de junho o procedimento entre 6 e 20 horas, quando a umidade relativa do ar está mais baixa e a dispersão dos poluentes é limitada. As usinas que descumprirem a determinação pagarão multa de R$ 74 mil. “Os técnicos estão fiscalizando e neste ano não tivemos autuações ainda”, disse Francisco Setti, superintendente da Cetesb.
Setti informou que as pessoas que ateiam fogo em terrenos baldios cometem crime ambiental - por causar poluição - e também estão sujeitas a penalizações. “Podem ser advertidas e multadas em cerca de R$ 7 mil se houver reincidência. A lei ainda prevê a detenção por crime ambiental que varia de seis meses a três anos”.
A doméstica Izilda Ribeiro, 52, diz que está cansada da sujeira provocada pela fuligem. Todo ano chega o inverno e a história se repete: a sujeira chega ao quintal, móveis e roupas lavadas.
“Tenho de limpar direto o chão, tirar pó e muitas vezes lavar as roupas de novo porque sujaram de cinzas no varal”.
Izilda mora no Jardim Ângela Rosa e trabalha numa residência no Centro. Segundo ela, o problema é comum nos dois bairros, embora mais freqüente em sua casa. “Fecho as portas e janelas, mas não adianta, a casa fica suja do mesmo jeito. Não sei por onde a sujeira entra”, reclama Izilda.
PERIGO NO AR
Além da sujeira, a fumaça das queimadas associada à baixa umidade relativa do ar durante o inverno provoca sérios males à saúde. Ao respirar poeira e fuligem, a pessoa pode ter crises de asma e bronquite e essas doenças, conhecidas como de base, podem resultar em complicações como sinusites e até pneumonias.
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O pneumologista Marcelo de Paula alertou para os problemas e ensinou ações simples para amenizar os efeitos do clima seco durante os próximos meses. Os cuidados com a limpeza dos ambientes devem ser redobrados. Pano úmido necessita ser passado no chão de manhã e à noite para eliminar ácaros, fungos e o pó “invisível”.
A água é uma grande aliada em tempos de queimadas e baixa umidade do ar. A velha dica de colocar uma bacia de água no quarto durante a noite permanece na lista do especialista, bem como o uso de umidificadores de ambientes. Mas, neste caso, o aparelho deve ser ligado apenas por uma hora antes da pessoa dormir. “Se funcionar a noite toda aumentará demais a umidade do quarto facilitando a proliferação de fungos”.
Ingerir bastante água também ajuda a saúde. Com a alergia, os brônquios ficam irritados e produzem mais secreção. Se o corpo tiver bem hidratado ela será mais fluída e facilmente expelida.
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