Recomeçar. Essa era a palavra de ordem para os proprietários da fábrica de calçados femininos Mironneli na tarde de ontem, após o incêndio que destruiu 80% de suas instalações e estoque, inclusive todo material e mostruário que seriam levados para a Francal. Os prejuízos devem chegar a R$ 1 milhão. A empresa tinha seguro.
A Mironneli pegou fogo na tarde de segunda-feira. O incêndio teve origem em uma caçamba de lixo colocada na calçada, do lado de fora, nos fundos da empresa, onde estavam guardadas a matéria-prima, o estoque e o material que seria utilizado na Francal. Equipamentos como balancins, máquinas de quebrar couro, formas de modelagem e fornos ficaram totalmente destruídos. “É um sentimento muito estranho. Eu estava aqui todos os dias. Agora vejo isso assim, destruído, dá uma dor no coração muito grande”, disse o proprietário Pedro Marcondes, com os olhos cheios de lágrimas.
Pedro contou que ele e os filhos estavam em São Paulo acertando os últimos detalhes para a participação na Francal e quando chegaram encontraram tudo destruído. “É muito triste, mas vamos tentar dar a volta por cima”.
COLEÇÃO PERDIDA
Com o incêndio, os 450 pares de calçados da nova coleção de verão da empresa, que estavam prontos há 15 dias e que seriam lançados na semana que vem, foram perdidos. “Só não perdemos a vida” ressalta Anderson Grespi, filho de Marcondes.
Para ele, foi uma “lamentável fatalidade” que aconteceu no momento classificado por ele como um dos melhores de sua empresa. Anderson garantiu que os 70 funcionários continuam com o emprego garantido. “Não vamos desanimar”, anunciou, mostrando que fornecedores e outras fábricas de Franca já se solidarizaram e, nos próximos três dias, devem refazer toda a coleção. “Vamos recomeçar pela Francal”, disse Grespi.
Outro irmão, Alan Carlos Grespi Marcondes, mostrou que já está conseguindo outro barracão e que, em 15 dias, quer retomar a linha de produção. “Esse é o nosso negócio e não vamos desistir fácil”, relatou.
A Mironneli produz cerca de mil pares por dia e exporta cerca de 35% de sua produção para países do Mercosul, Europa, Ásia e Oriente Médio. No Brasil, só não tem representação na região Norte. O representante comercial de São Paulo, Pid Gomes, que ontem estava em Franca, ficou chocado com o que viu. “Esse pessoal é muito honesto. Não merecia isso”, relatou.
HISTÓRIA
A família lembra que tudo começou há 18 anos na Avenida José Rodrigues da Costa Sobrinho, Jardim Petráglia, em Franca. Há dois anos, mudaram para o novo endereço, na Avenida Dom Pedro, também no Petráglia.
Eles contam que o prédio é alugado e que está com quase toda a estrutura comprometida. Estão à procura de outro para receber o pouco que restou do maquinário. “Nós passamos por vários período complicados e vencemos. Agora não vai ser diferente”, disse Alan.
No fim da tarde de ontem um representante da seguradora Mafre esteve no local “orientando” os proprietários sobre os procedimentos. Identificando-se apenas como Trajano, o representante da seguradora não quis adiantar como será a perícia.
“É uma outra pessoa que vai fazer. Não sei quais os procedimentos que ela tomará. Só posso dizer que foi um incêndio de grande monta”, finalizou.
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