Uma das principais apostas do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) para reduzir os problemas de atendimento no setor de saúde pública de Franca está com os dias contados. Criada depois que seis pessoas morreram à espera de ambulâncias, a Central Gerencial de Urgência e Emergência (que concentra a Defesa Civil do Município) terá de deixar o quartel dos bombeiros, onde funciona desde maio de 2005.
Divergências na forma de trabalhar entre os servidores municipais e os militares forçaram a mudança. Para a Prefeitura, a saída já vinha sendo planejada e o objetivo seria melhorar o serviço prestado.
A Central está instalada na sede do Corpo de Bombeiros na Rua Santos Pereira. Lá, trabalham interligados os serviços de resgate dos bombeiros e de remoção do município com quatro viaturas. As ligações feitas para os telefones 192 e 193 são atendidas no mesmo local e os despachadores encaminham o tipo de socorro adequado.
Se por um lado a unificação ajudou a agilizar o atendimento e a reduzir o número de mortes, por outro trouxe problemas de relacionamento, provocados pela distinta forma de trabalho entre bombeiros e os servidores municipais, denominados de agentes de defesa civil.
A Prefeitura admite que estudos estão sendo feitos para desvincular a Central do quartel dos bombeiros. Oficialmente, a mudança seria para otimizar os serviços prestados. “Acredito que seria mais eficiente espalhar o atendimento em locais estratégicos da cidade ao invés de manter em um ponto único. Queremos incrementar um serviço que deu certo”, comenta o secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto.
Embora dê ênfase na justificativa de tentar melhorar o serviço, o secretário reconhece que estava se tornando difícil manter servidores municipais e militares no mesmo ambiente seguindo regras e jornadas de trabalho idênticas. “Há questões de ordem administrativa. Temos diferenças de regime trabalhista. Um é celetista e o outro é estatutário. Um é regido pelo direito civil e o outro pelo direito do trabalho. As diferenças não implicam um problema operacional, mas questões funcionais”.
O capitão Alexandre, comandante do Corpo de Bombeiros, exaltou as diferenças entre as organizações para justificar a iminente saída dos agentes. “Nosso quartel tem a característica da Polícia Militar, portanto, a gente sempre prega aqui o respeito pela cidadania, demonstrando que há uma diferença de organizações. É notório que um é militar e outro é civil. Para nós, independente se a defesa civil vai estar aqui ou em qualquer outro local, o importante é a sociedade ser bem atendida”.
Na verdade, a relação entre as partes começou a se abalar em maio do ano passado, quando um agente afastado foi preso acusado de roubo. A gota d’água se deu em janeiro. Uma adolescente de 16 anos disse ao Conselho Tutelar que teria mantido relações sexuais dentro de uma ambulância com cinco agentes da defesa civil. Mais tarde comprovou-se que a garota havia mentido, mas o estrago já havia sido feito e a saída dos servidores municipais decidida.
A Prefeitura ainda não resolveu onde será implantada a central. A atual sede da Guarda Civil, no Parque dos Pinhais, é uma das alternativas. Também não foi definido se as ligações feitas ao 192 continuarão a ser atendidas pelos bombeiros ou se passarão a ser de responsabilidade dos agentes de defesa civil.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.