Quando pensamos em um taxista, a imagem geralmente associada a esse profissional é a de um homem mais velho, com anos e anos de experiência “na praça”, como se dizia antigamente. Mas atualmente, o perfil de profissionais envolvidos nessa atividade tem mudado. Os jovens, inclusive mulheres, estão conquistando seu espaço.
Prova disso é a quantidade de funcionários com menos de 30 anos empregados nas duas maiores cooperativas de táxi de Franca. No total, são 116 pessoas, 50 só nesta faixa etária. Então, não se espante se pedir uma corrida e for atendido (a) por Natali Silva Freitas. Uma jovem de 21 anos, vaidosa, animada e que adota um visual ultramoderno.
Ela é taxista há seis meses e adora a profissão. Antes trabalhava apenas como atendente na Coopertaxi, mas depois de quatro anos trancafiada em uma sala e longe da correria resolveu arriscar a sorte e se dedicar ao que há tempos lhe chamava atenção. “Sempre gostei de saber onde fica tudo. Dentro da central passava horas folheando o Guia Sei, colocava gasolina na minha moto e saía para conhecer a cidade. Morria de vontade de ser taxista. No primeiro dia, cada corrida era uma aventura”.
O carro com que Natali trabalha foi comprado em sociedade com o pai, depois de conseguir arrastá-lo também para a atividade. Hoje, os dois trabalham juntos, ela durante o dia, ele à noite.
Mesmo com horário flexível e a possibilidade de papear durante o serviço, a rotina de um taxista é puxada. De pé a partir das 6 horas, a jovem trabalha em média 12 horas por dia, de segunda a segunda, e recebe cerca de R$ 2 mil por mês. “Acordo, saio de casa e fico esperando no ponto o contato da central”. Segundo ela, durante a semana o trabalho é mais tranqüilo, mas é no domingo, dia em que quase todo mundo descansa, que ela não pára um minuto.
“Por gostar muito da profissão não sinto tanto, mas cansa sim. Na maioria dos dias ando uns 200 quilômetros. Mas só nesse domingo (dia 15) foram 320 quilômetros”.
Para enfrentar o corre-corre da profissão e atender bem os passageiros não basta ser animado e ter habilidade no volante. Além de zelar pela manutenção do carro e saber “ler” mapas é preciso paciência. “Somos meio psicólogos sabe, todo mundo que entra no meu táxi conta um pouco de seus problemas. Escuto de tudo no carro”, confessa Patrick Janes Emiliano, 20 anos, taxista há um ano e meio. Ele disse que se adaptou à rotina de transportar pessoas com estilos e idades completamente diferentes.
Com a experiência aprendeu que ser esperto, ter boa memória e malícia também são características fundamentais para um taxista, que estão expostos ao perigo o tempo todo. “Meu pai e meu irmão são taxistas por isso aprendi a gostar da profissão, mas acho um pouco perigoso. Já fui assaltado e por isso sei que temos que ficar bem atentos”.
Na hora de avaliar a escolha de profissão que fez, Patrick se lembra também de colocar a concorrência na balança. “A disputa é grande, o que atrapalha um pouco no rendimento final, mas às vezes damos sorte. Já virei o dia trabalhando e cheguei a fazer até 40 corridas por noite. Nos finais de semana que têm festas o bicho pega”. Com salário comissionado (R$ 2,50 por corrida), ele recebe R$ 1,2 mil por mês.
O carro com que Patrick trabalha é do irmão, mas com o salário conseguiu financiar outro (usado só para passeio), ainda ajuda em casa, compra roupas, sai e presenteia a namorada. “Essa é a parte boa”, disse o taxista, que gosta de fazer corridas para outras cidades. “Viajar para cidades vizinhas é só felicidade. Além de conhecer as pessoas e lugares, recebo mais”, disse.
Patrick e Natali terminaram o ensino médio e pararam de estudar, mas estão decididos quanto ao futuro. Ele não pretende ficar na profissão por muito tempo. “Queria mais tempo livre, mas ao mesmo tempo um emprego onde não ficasse parado, trancado em uma sala o dia todo. Gosto da correria”. Natali, decidida, quer seguir carreira e para isso assume seu “pão-durismo”. “Economizo por uma boa causa. Penso em comprar mais carros ou outro ponto de táxi. Ser taxista é meu sonho, não quero parar de jeito nenhum”.
SE INTERESSOU?
Se você se interessou em trabalhar no ramo é bom saber que o começo é penoso e burocrático. Cada município tem uma legislação própria para regulamentar a atividade. Em Franca, para ser taxista e trabalhar em um ponto de táxi fixo cedido pela Prefeitura é preciso se inscrever no órgão e aguardar até que a quantidade de francanos cresça e atinja um número que, perante a lei, demande mais oferta do serviço. Depois de inscrito, o taxista deve pagar uma taxa mensal à Prefeitura e renovar todo ano o alvará de funcionamento, que também é emitido pela Prefeitura e acrescido de algumas taxas.
Como essa fila custa a andar, muitos interessados preferem alugar ou comprar o ponto de um taxista que esteja inscrito e possua o alvará de serviço. Nesse caso, é necessário fazer a transferência da documentação. Outra possibilidade, é fazer parte de uma cooperativa de taxistas - o que significa fazer parte de empresa onde os funcionários dividem as despesas geradas por ela. Para isso, cada um dos cooperados compra uma cota da cooperativa e paga uma espécie de mensalidade. Além disso, precisam ter veículo próprio e um ponto de táxi fixo.
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