Pelo menos 41 famílias carentes de Franca terão a chance de conquistar autonomia e transformar suas vidas. A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social inaugurou, na semana passada, o Ateliê da Família, projeto que oferece oficinas de geração de renda. O espaço atende pessoas beneficiadas pelos programas Bolsa Família, Renda Mínima, Renda Cidadã e Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). A idéia é ensinar a elas uma nova profissão para que invistam em produções próprias e não dependam mais do governo. Novos cursos estão previstos para o segundo semestre.
A missão do Ateliê é (re)inserir a população no mercado de trabalho. O público atendido não tem escolaridade nem experiência, por isso tem a chance de aprender a confeccionar peças de cama, mesa, banho, enxoval infantil e mosaico em pequenas peças e em paredes e pisos e investir num novo ramo profissional. Os cursos são gratuitos. Os alunos recebem material, orientação técnica, dicas de trabalho em grupo e treinamentos sobre vendas e custos oferecidos em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
A orientação para quem participa das oficinas é “sonhar grande”. Roni Aparecida de Souza, 36, segue à risca a recomendação. Ela deixou de ser sapateira para se tornar artesã.
Tudo começou em fevereiro de 2008, depois que perdeu o emprego numa fábrica de sapatos que faliu e decidiu fazer o curso de pano de prato e ponto cruz oferecido pelo Cras (Centro de Referência e Assistência Social) do seu bairro. Hoje, sonha em montar uma associação com outros 18 integrantes do curso, produzir em escala maior e exportar seus produtos. “Em outros países, o trabalho de artesanato é mais valorizado. Estamos nos organizando para ter a associação. Já temos a equipe que cuida do dinheiro, das embalagens e do orçamento dos materiais”, disse. O lucro com as vendas das peças está sendo depositado numa conta bancária própria para a formação da associação.
O marido da artesã, que mora no Jardim Panorama, é marceneiro, mas está com dificuldades de conseguir emprego. Só tem feito “bicos”. A expectativa de Roni é que a história mude assim que a associação for montada e começar a dar lucro aos integrantes. “Quando voltar a ter minha renda, quero comprar roupas melhores para meus filhos, ajudar a pagar a prestação da minha casa (R$ 177 por mês, durante 15 anos) e dar melhores condições de vida para minhas crianças, que passam muitas vontades”. O grupo vende panos de prato, toalhas de banho e lençóis produzidos no Ateliê e em casa.
DESAFIOS VENCIDOS
Além da perspectiva de um futuro melhor, Roni disse que o curso transformou a vida e melhorou sua auto-estima. “Voltei a sonhar. Achei que tinha acabado. Estava sem emprego e não tinha com quem deixar meus filhos para trabalhar. Agora, estou aprendendo uma profissão, graças a Deus”, alegra-se.
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Resgatar a auto-estima é um dos desafios do Ateliê da Família. E além da melhora do bem-estar das alunas, a Secretaria de Ação Social quer que os aprendizes se tornem multiplicadores. “As famílias voltam a sonhar, a ter perspectivas e contaminam familiares e vizinhos. Queremos que ganhem mais que o benefício do governo e vivam da própria produção, sem depender do governo”, disse Lívia Coleto, coordenadora do Ateliê.
Antes do novo espaço ser montado e inaugurado, os cursos eram ministrados na Secretaria da Educação e outras entidades espalhadas pela cidade. Com o Ateliê, o trabalho ficará centralizado e mais fácil de ser gerenciado. O endereço é Rua Saldanha Marinho e o funcionamento feito das 8 às 17 horas.
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