No meio da noite, o telefone de um posto de gasolina tocou. Do outro lado da linha, uma voz ameaçadora avisou: “E aí, meu irmão? Fica esperto que vamos te assaltar daqui a 15 minutos”. Desligou em seguida. Na hora marcada, dois homens chegaram em uma moto. Estavam armados e cumpriram a promessa. Avisada no ato da ligação, a polícia só chegou depois do assalto.
A história aconteceu há dois meses e ilustra a banalidade do crime, em que ladrões aterrorizam as vítimas com ações cada vez mais ousadas e repetitivas. Basta dar uma volta pela cidade para encontrar comerciantes e empresários que já foram assaltados mais de cinco vezes em curto espaço de tempo em Franca. Postos de gasolina, lotéricas e supermercados lideram o ranking dos mais roubados.
O mesmo posto que os ladrões marcaram hora para roubar - cujo dono pediu para não ter nome e endereço divulgados - já foi assaltado perto de 20 vezes em oito anos. “Já perdemos as contas de quantas vezes fomos atacados. Até parece que viramos fregueses dos ladrões”, comenta o gerente.
O roteiro é quase sempre o mesmo. Dois homens em uma moto escura chegam com capacetes e armados. O ocupante da garupa desce com o revólver na mão e rende o frentista. Desaparecem em poucos minutos. “Uma vez, o ladrão atirou em minha direção, mas a arma falhou. Um frentista chegou até a ‘evacuar’ na calça de medo. Estamos trabalhando, os caras nos roubam e ainda nos chamam de vagabundos. Isto dá uma revolta muito grande”.
Outro exemplo flagrante de ousadia se deu no dia 15 de maio, quando um ladrão roubou um posto localizado na Avenida Orlando Dompieri duas vezes em uma única noite. Alegou que voltou para buscar o resto do dinheiro. Mesmo assim, só conseguiu R$ 100. “Posto de gasolina dá a falsa impressão de que tem muito dinheiro, mas não tem. A maior parte dos clientes paga com cheque ou cartão. A arrecadação sempre é recolhida para não acumular”.
Sexta-feira, 13, 4h30. Dois homens entraram na loja de conveniência de um posto da Estação e compraram duas cervejas. Ficaram no pátio bebendo como se fossem clientes. Duas latinhas depois, voltaram para a loja. “Sacaram um revólver e renderam o companheiro que estava no caixa. Me pegaram do lado de fora e falaram: ‘se não quiser morrer, dá o dinheiro’. Fizeram muitas ameaças e prometeram voltar se eu chamasse a polícia”, contou o frentista Crésio de Carvalho Dias, 45.
Os constantes assaltos, principalmente à noite ou madrugada, têm provocado um impacto no mercado de trabalho dos frentistas. “Virou uma profissão de risco. Temos caso de uma pessoa que entrou em um dia e saiu em outro, pois foi assaltado logo de cara. Está difícil arrumar quem queira trabalhar à noite”, disse o gerente, que prefere não ser identificado. A polícia de Franca não tem os números detalhados de assaltos a postos de combustíveis na cidade.
Diante da sucessão de roubos, os comerciantes têm adotado medidas de segurança como instalação de câmeras, contratação de vigilantes particulares e reforço no número de funcionários nos horários de risco.
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A polícia informou que tem aumentado o patrulhamento e as investigações para conter a ação dos criminosos. Na noite de quinta-feira, a Polícia Militar prendeu o motorista Pedro Estevan Tozo Martinez, 26, minutos após roubar R$ 200 e produtos na loja de conveniência de um posto no Jardim Guanabara. No mesmo dia, os policiais da DIG prenderam o desocupado Lucas Pinheiro dos Santos, 20, apontado como especialista na prática deste tipo de crime.
“Comprovamos que ele roubou dez postos na cidade este ano. Com sua prisão, acreditamos ter dado importante passo para reduzir as ocorrências”, afirmou o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
Na noite de sábado, para se ter idéia da situação, entre 18h30 e 19h30, dois postos e um supermer-cado foram assaltados.
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