‘Já passei fome’, diz pastor Wilson


| Tempo de leitura: 2 min
À FRENTE DOS PROJETOS - O pastor Wilson Ferreira de Jesus, da Assembléia de Deus do Jardim Vera Cruz
À FRENTE DOS PROJETOS - O pastor Wilson Ferreira de Jesus, da Assembléia de Deus do Jardim Vera Cruz
Filho de lavradores, Wilson Ferreira de Jesus, 36, vem de uma família grande: seus pais tiveram sete filhos. A família dele é de Capelinha (MG), no Vale do Jequitinhonha, e sentiu na pele a carência vivida na região. “Já passei fome”, disse Wilson de Jesus, que é pastor da Igreja Assembléia de Deus do Jardim Vera Cruz, em Franca. O pastor se lembra com detalhes da sua infância, que foi sofrida. Aos 12 anos engraxava sapatos para poder ganhar algum dinheiro. Muitas vezes, ele e os irmãos lavavam lanchonetes da cidade em troca de um pedaço de bolo, salgado ou vitamina. “Lembro que a gente bebia o resto de suco deixado no copo pelos clientes. Também comíamos as pontinhas das coxinhas que eles jogavam no lixo”. Wilson ainda recordou as vezes que pediam retalhos de carne no açougue para ter alguma mistura no prato. Acesso à higiene também era algo inexistente na vida dele. “Escovei os dentes pela primeira vez aos 12 anos com uma escova que encontrei no lixo”, disse. Wilson morou em Capelinha até os 17 anos, quando ao lado de um amigo decidiu buscar uma vida melhor no Estado de São Paulo. Seguiram para Ribeirão Corrente e de lá para Franca. Depois dele, veio o restante da família. “Vivíamos com muitas dificuldades. Meus sonhos morriam porque o que eu recebia era para ajudar em casa”. Ao chegar em Franca e conhecer a comunidade da Assembléia de Deus, religião que segue há 25 anos, o pastor Wilson decidiu que ajudaria famílias carentes de Franca e também do Vale do Jequitinhonha. “Ficava muito feliz quando as pessoas chegavam em Capelinha para doar alguma coisa. Quis levar essa alegria aos moradores de lá. Há cinco anos fazemos doações para o Vale do Jequitinhonha e, há um ano e meio, montamos a Adhemprovale (Associação de Desenvolvimento Humano em prol do Vale do Jequitinhonha)”, disse ele, que hoje conta com o apoio da mulher, a dona de casa Eunice de Jesus, 34.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários