Reformar uma casa sempre é um transtorno, e eu me preparei para isso. Só não esperava bater de frente com um obstáculo inusitado antes mesmo de iniciar as obras: não existem pedreiros disponíveis!!!
É certo que a construção civil tem recebido uma injeção de ânimo nos últimos anos com a liberação cada vez maior de recursos do governo para financiamentos de construções e reformas. Isto é ponto pacífico. A lista de materiais de construção sofre reajustes abaixo da inflação e isso também colabora para dinamizar o setor...
Construtoras e administrações públicas estão funcionando a pleno vapor. Afinal, este é ano eleitoral e as ampliações de investimentos em obras indispensáveis à população (em ano não político todas são dispensáveis), a mão-de-obra do segmento sofre uma sobrecarga de contratações. Ótimo para os contratados.
Ingenuamente, porém, acreditei que conseguiria realizar as poucas obras em casa a partir de indicações dos amigos. O procedimento é padrão: primeiro, ligar para alguns arquitetos e engenheiros conhecidos e pedir indicação de profissionais. Não dando certo, entra o segundo passo: amigos e colegas de trabalho. A solicitação, óbvia, é orçar com algum profissional que reúna as características básicas necessárias, como ser de confiança (não se coloca alguém por dias a fio dentro de sua casa sem preocupação); alguém que costume cumprir contratos e prazos combinados previamente; que saiba realmente executar o serviço com qualidade; que seja rápido para acabar com o transtorno de obras dentro de sua casa, e que seja barateiro.
Claro que até minha ingenuidade tem limites: sabia que teria que abrir mão de alguns destes pré-requisitos para contratar a mão-de-obra necessária antes que o período de chuvas chegasse. Os primeiros (ufa...) profissionais que consegui levar até o local para orçar o trabalho reuniam os primeiros três itens: confiança, palavra e qualidade. Mas já me tiraram as esperanças dos dois outros: rapidez e preço. Certo, afinal o momento não é propício, são muitas obras em andamento, blá, blá...
Começaram a escassear minhas opções: parentes, terceiros, quartos, vizinhos... E dá-lhe telefonemas para conseguir outras indicações. As respostas começaram a parecer combinadas: “Conheço, mas já está trabalhando em outra obra...” e a época das águas já batendo no joelho... “Posso pegar o serviço, mas vai ficar mais caro, porque ‘tô’ tocando outras três obras e vou deslocar gente... Quem sabe daqui há uns dois, três meses...”
Se estou parecendo injusto com os profissionais do setor, esclareço não ser essa minha intenção. Mas o desespero, quando bate à sua porta (... principalmente se sua porta ainda não está chumbada na parede), a consideração fica do lado de fora.
Mas, vamos lá... reconsideremos: os profissionais da construção estão empregados, em sua maioria parabéns pela sorte! São poucos os setores que podem se orgulhar disso. Mas, e não temos cursos e treinamentos para preparar novos profissionais para suprir os desesperados proprietários de obras??? Não existem desempregados de outros setores dispostos a aprender uma profissão com tão grande procura e tão pequena oferta?
Meus pré-requisitos, que antes pareciam tão básicos e tão óbvios, agora, confesso, estão sendo substituídos: só quero um profissional (aliás, pode ser até amador, nessa altura do campeonato), que saiba misturar massa e assentar um tijolo sobre o outro.
Confiança, trocada por uma apólice de seguros; cumprir contratos? Pra que papel? Se o fio de bigode não agüentar, deixo de subir uma parede ou duas; qualidade... se continuar com esse estresse não vou nem usar a casa mesmo...; rapidez: a convivência por meses, com um grupo de estranhos passando com areia e saibro por sobre o sofá pode ser até agradável; e preço: afinal, para que se preocupar com dinheiro? Se não sobrar para cobrir a cozinha, pelo menos sobra para o guarda-chuva. Cadê os pedreiros, meu Deus do Céu?
BIBLIOTECA DO CAIC
Contei, dia destes, sobre a tentativa de doar livros pedagógicos à Biblioteca “Américo Maciel de Castro”, principal do município, onde um jovem me disse que “não aceitavam (lá) livros como esses”. E que me foi indicada a biblioteca do CAIC, no City Petrópolis. Contei também que o moço Dida, dono do lava-jato e estacionamento onde deixo carro, sensibilizado, pegou tudo e disse que levaria lá. Ele levou e foi muito bem recebido. Foi informado que a biblioteca da escola também empresta à comunidade interessada. E que quem quiser doar, que se dirija para lá.
MÉDICOS E EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Recebi muitas manifestações sobre o texto “Saúde?!”, que publiquei aqui sábado retrasado (disponível para leitura em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=30639). Algumas, de médicos que concordam estar a profissão sendo exercitada mais em função da pressa que permite mais atendimentos em menor tempo, do que rumo à atenção que se precisa dar ao paciente. O mais triste é que me disseram que a coisa tende a piorar. Pobres de nós!
FILOSOFIA DE BOTECO
Pelo licença ao Edward de Souza, nosso cronista das quintas-feiras, para contar sobre a frase-filosofia-de-buteco que anda correndo a cidade após o Comércio publicar resultados de pesquisa do Instituto Datalink sobre as próximas eleições: “cada um por si..(dnei) e todos por uma rocha”. A pesquisa modificou a maioria das decisões de candidaturas próprias de partidos de todos os portes à Prefeitura. Ainda esta semana, dez partidos correram e fecharam com o PSDB do atual prefeito, a “rocha” que a pesquisa diz que bate qualquer adversário em qualquer cenário. Ficou claro: é preciso estar onde o poder está... O resto é discurso.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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