Quem acompanha os dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) sobre os números de empregos gerados em Franca se surpreende com a oscilação das vagas na cidade. Em fevereiro deste ano, a capital do calçado foi a quinta cidade em geração de empregos no Estado. Três meses depois, em maio, caiu para a 19ª posição. Para tentar explicar o que ocorre, de fato, na geração de emprego da cidade, o Comércio levantou dados e ouviu especialistas. A conclusão é que o sobe e desce nos empregos registrados é causado por uma característica da economia local: a sazonalidade (fenômeno ocorrido quando a produção de um bem ou alimento oscila muito durante o ano).
Por causa das características da economia local, o calendário do ano pode ser dividido em períodos de contratação para cada um dos setores.
Para os empregos industriais, a melhor época é entre janeiro e julho e a pior entre novembro e dezembro. Para se ter uma idéia, nos primeiros sete meses do ano passado, as fábricas da cidade contrataram 7.092 trabalhadores a mais do que demitiram. Nos meses de novembro e dezembro do mesmo ano, no entanto, o movimento se inverteu. O setor registrou um saldo negativo que superou as contratações citadas acima: a cidade teve um déficit de 8.852 vagas.
Isso acontece porque o setor industrial na cidade é dominado quase que exclusivamente pela indústria do calçado, que, por ter de acompanhar a moda (primavera/verão e outono/inverno), acaba sendo sazonal. “As coleções precisam sempre coincidir com as feiras que marcam a mudança das estações do ano”, disse o presidente Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca), Jorge Félix Donadelli.
Com isso, a produção se concentra em alguns meses, normalmente os que sucedem as feiras calçadistas (Couromoda, em janeiro, e Francal, em julho) onde começam a ser fechados os pedidos dos lojistas.
O presidente licenciado do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ferreira, também faz a mesma análise, mas pontua que a sazonalidade já foi maior. “Já foi mais acentuado, hoje está mais comedido. O perfil da sazonalidade continua, mas na nossa avaliação isso já foi mais gritante, na primeira metade da década de 90”.
O subdelegado do Ministério do Trabalho, Jamil Leonardi, aponta ainda outra particularidade. “Aqui, em Franca, tem aquela situação do reemprego. Demite-se no final do ano para depois recontratar”.
Apesar da indústria ser o maior expoente, na cidade, com exceção da prestação de serviços, todos os outros setores econômicos também passam pelo mesmo processo de sobe e desce de vagas. Na agricultura, o café e a cana-de-açúcar, culturas que prevalecem na região, têm produção sazonal, o que faz com que a mão-de-obra seja contratada em períodos específicos durante o ano, como explica o presidente do Sindicato Rural de Franca, Geraldo Cintra. “A colheita (do café) começa agora em junho e vai até setembro, mais ou menos. É nesse período que é feito o contrato de safra. Soja e milho também é só no plantio e na colheita”. Depois o setor, acaba demitindo os contratados.
Outro setor que acompanha o mercado para contratação é o comércio. Os dados do Caged apontam que a maior incidência de contratações são registradas em abril, mês anterior ao Dia das Mães, agosto (que tem o Dia dos Pais) e novembro, quando as vendas estão aquecidas para o Natal.
O empresário Jayme Luiz Barbosa, dono das franquias das lojas O Boticário em Franca e ex-presidente da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca), reforça os dados. Para ele, estes empregos, mesmo que temporários, são positivos para a população “Em todas as datas comemorativas, contrata-se mais gente. É positivo porque é uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Além disso, 30% são contratados efetivamente”.
A exceção francana para a sazonalidade é o setor de serviços. Os dados do Caged apontam que, nele, as contratações ocorrem durante todo o ano, sem picos ou demissões em massa.
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