Crianças Stalin perdem avó. E agora?


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A vida das crianças Stalin ganhou mais um capítulo preocupante nesta semana. Depois de viver anos acamada e cuidar de seis netos desde 2005, quando foram abandonados pela mãe, a ex-trabalhadora rural Natalina Vieira Stalin, 51, morreu. A senhora faleceu em casa no último dia 15 acometida por câncer no estômago, diabetes e hipertensão. Agora, sem a avó, o futuro das crianças é ainda mais incerto. Há sete meses, a neta mais velha, de 11 anos, foi morar com os avós maternos. Sem Natalina, os outro cinco irmãos, de 10, 9, 8, 6 e 3 anos, serão cuidados pelo pai e uma das tias, ambos desempregados. A vida de Natalina Stalin foi marcada pelo sofrimento e pela miséria. Nos últimos três anos, o Comércio da Franca retratou as dificuldades enfrentadas pela família em sete oportunidades diferentes. Por conta dos problemas de saúde (câncer e uma fratura no joelho), Natalina não conseguia ficar em pé porque se desequilibrava, por isso passava praticamente o tempo todo deitada. Quando não tinha leite, alimentos nem roupas para os netos, acionava a reportagem do jornal em busca de ajuda. A mãe deles fugiu, e, mesmo doente, a avó assumiu a responsabilidade de criá-los. A sobrevivência das crianças ao lado da avó não era fácil nem muito digna, mas, sem ela, deve ficar mais complicada. Natalina estava afastada pelo INSS desde 2003 e recebia benefício de R$ 415. Com sua morte, esse recurso não fará mais parte do orçamento da família. O pai das crianças, Júlio César, 32, trabalha na construção civil, mas está sem emprego. A tia que assumiu os cuidados dos meninos, a sapateira Lucinéia Stalin, 25, precisou abandonar o serviço na banca de pesponto para se dedicar aos sobrinhos. A última parcela do seguro-desemprego dela, de R$ 415, será paga neste mês. Depois, nem ela sabe como viverão. “Meu pai (avô das crianças) está trabalhando, mas não sei como faremos”. Segundo a tia, a família recebia benefício do Renda Mínima, mas foi suspenso. Na casa simples e suja em que moram no Jardim Aeroporto III, a carência de alimentos já é sentida. No almoço de anteontem, comeram apenas arroz, feijão e chuchu, sem fartura. “A comida é a conta. E não são todos os dias que conseguimos comprar carne”. As crianças consomem três litros de leite por dia. Só não ficam sem porque uma entidade filantrópica do bairro faz doações do alimento. “Ainda bem que os meninos ganham na Casa da Sopa”. MISSÃO A tia Lucinéia Stalin é solteira, tem apenas 25 anos e acabou de deixar o emprego numa banca de pesponto para assumir uma difícil tarefa: cuidar de cinco sobrinhos menores de dez anos e da casa onde vivem. Como já ajudava dona Natalina a olhar as crianças, levá-las ao médico e à escola, diz se sentir preparada e disposta para a tarefa. “O pai delas não dá conta de criá-las sozinho. Vou ficar com eles, pelo menos, até o fim do ano, até acabarem a escola. Depois não sei como faremos”, disse. “Estou disposta a criá-los. São meus filhinhos”, completou. Lucinéia disse que se inspirará em sua mãe. “Ela foi muito batalhadora. Não gostava de depender de ninguém, mas quando era para pedir para os netos, vencia o orgulho e buscava ajuda”. Natalina morreu às 16 horas do domingo passado. Seus netos estavam brincando na rua quando passou mal e foi levada ao médico. “Tentaram salvá-la, mas não conseguiram. Ela vivia passando mal. Agora descansou”, disse a filha Lucinéia. A senhora foi enterrada na segunda-feira, 16, no Cemitério Santo Agostinho.

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