Ocupado com as comemorações pelos cem anos da imigração japonesa e preocupado em manter sobre controle a efervescência provocada pela insanidade de alguns militares nos morros cariocas, o presidente Lula parece ter tido pouco tempo para refletir sobre sua escandalosa metamorfose ambulante.
Desde que assumiu o cargo de chefe maior da nação, Lula tem dado mostras de que não é mais o sindicalista radical dos idos tempos em que greve e ele eram praticamente sinônimos.
Mudou, e mudou bastante. Uns dizem que mudou pra melhor, outros são incisivos e afirmam que o grande líder cedeu aos encantos do poder e do capital.
Eu arriscaria dizer que nem lá nem cá. Diria que Lula acomodou-se na confortável cadeira da política brasileira. Confortável, aconchegante e principalmente, cheia de recursos que visam única e exclusivamente facilitar a vida de quem está no poder.
O que há de errado nisso? Nada. Como cidadão preciso reconhecer que tudo foi muito bem planejado e executado desde o fim da tal ditadura até os mais recentes acontecimentos da tal democracia. Lula é mais um presidente, não foi primeiro e não será o último, pelo menos espero, a ocupar o cargo e beneficiar-se da estrutura política, administrativa e fiscal do País.
O momento mundial de crise de alimentos, de escassez de combustíveis e a crise norte-americana vão elevar preços, diminuir o poder aquisitivo e principalmente gerar instabilidade financeira nos países menos preparados para a possível crise global.
A grande pergunta é, saberá Lula acionar corretamente os mecanismos disponíveis na cadeira do presidente para continuar confortável sem levar a população à bancarrota? Terá Lula estrutura política e administrativa para executar os ajustes necessários para a correção da rota, evitando a colisão fatal com o iceberg da inflação?
Se a resposta for sim, ótimo. Se a resposta for não, aí começam nossos problemas. Pelo sim, pelo não, melhor lembrar do Joãozinho, que na sala de aula pergunta para a professora:
– Professora, alguém pode ser punido por algo que não fez?
– Claro que não Joãozinho, isso seria injusto e cruel. Mas, porque me perguntou isso?
– Por nada professora, ou melhor, é porque eu não fiz o meu dever de casa.
Alexandre Leonel
Farmacêutico, integrante do Conselho de Leitores do Comércio
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