Mateus, 26 anos: da graxa para o volante


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Jarbas José Silva é visto ao lado de sua van. Ele já conquistou sua vaga como motorista escolar
Jarbas José Silva é visto ao lado de sua van. Ele já conquistou sua vaga como motorista escolar
Mateus Perente de Castro, 26, é um dos 125 “perueiros” de Franca, facilmente vistos pelas ruas nos horários de entrada e saída das escolas. Há cinco anos, Mateus trocou a função de fazer reparos em automóveis para dirigir um deles por cerca de oito horas por dia. Como seu pai, resolveu abraçar a profissão de motorista de van. O motivo: falta de tempo. Quando era mecânico, Mateus não tinha condições de se dedicar a uma de suas paixões: a música. Como motorista tem a mesma carga horária da cumprida na oficina - oito horas diárias -, mas o serviço permite intervalos entre as corridas para transportar os alunos. É nessas horas que Mateus se dedica aos estudos e se desdobra, ao lado da noiva, nos preparativos do casamento, que será no mês que vem. “Não me arrependo da troca em momento algum. Toco trombone e preciso me dedicar sempre. Hoje encontro tempo para isso”. Mateus disse que, como a jornada de trabalho, os salários de mecânico e motorista de van são semelhantes. “Consigo cerca de R$ 2 mil por mês. Trabalhava numa oficina e tirava praticamente o mesmo valor por mês”, disse ele, que tem 45 clientes. Cada aluno paga R$ 75 em média. Parte do dinheiro paga as despesas com diesel e peças da van. Para o atual emprego, Mateus diz que paciência e responsabilidade são essenciais. “A responsabilidade de transportar filho dos outros é grande. Graças a Deus, em cinco anos, não tive nenhum acidente”. O motorista autônomo Fernando Andrade, 38, já ocupou uma das vagas de van escolar em Franca, mas em 2007 decidiu mudar. Passou a trabalhar como transportador de caminhão de uma empresa de cana-de-açúcar, mas não teve bons resultados. Desempregado, quer voltar a ser motorista de van, mas agora depende do alvará e de “resgatar” uma vaga da Prefeitura. “A concorrência com vans é maior, mas pelo menos tenho emprego garantido”. Fernando também já foi ourives, mas de todas as profissões que já teve, prefere a de “perueiro”.

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