Volante disputado


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Vans escolares e alunos lotam porta das escolas nos horários de entrada e saída das aulas
Vans escolares e alunos lotam porta das escolas nos horários de entrada e saída das aulas
Renato Garcia Paulo trabalha como cortador em fábricas de sapatos desde os 14 anos. Hoje, aos 43 anos, pretende mudar de “ares”. Tem planos de conseguir um emprego com direito a duas férias por ano, horários mais flexíveis para ter tempo de ir ao banco, fazer academia e cuidar mais de sua saúde. Renato já encontrou uma alternativa: ser motorista de van escolar, mas não sabe até quando terá de esperar. Para trabalhar em Franca, precisa do alvará expedido pela Prefeitura autorizando o serviço, mas o Setor de Transporte Alternativo do município tem fila de espera por vagas. Até ontem, eram 72 candidatos(as) a “perueiros”. E não há previsão de quando serão abertas novas oportunidades. Uma lei municipal determina que o número de vagas seja estabelecido de acordo com a quantidade de alunos da cidade. Abre-se uma vaga para cada grupo de 550 estudantes das redes municipal, estadual e particular. Os dados são informados pela Secretaria de Educação. Até 2007, as escolas estavam com 68 mil alunos. Em Franca, trabalham 125 motoristas de vans, ônibus e microônibus, mesma quantidade do ano anterior. “Não podemos abrir vagas porque tem demanda. Enquanto não mudar a lei, teremos de seguir a quantidade estabelecida pelo público-aluno”, disse o tenente Sérgio Buranelli, chefe do Setor de Trânsito. Na fila estão homens e mulheres, com 30 anos em média, geralmente, empregados das indústrias de calçados ou motoristas de caminhões dispostos a mudar de emprego. “Os candidatos almejam ganhar mais, ter mais tempo e dinheiro imediato. Como motorista de escolares as perspectivas de ganhos e liberdade de trabalho são maiores e mais flexíveis”, disse sargento Augusto Rodrigues, chefe do serviço operacional da Guarda Civil Municipal, que engloba o trânsito. Para o cargo, os interessados precisam atender às seguintes exigências: ter no mínimo 21 anos, CNH categoria D, apresentar atestado médico que comprove aptidão para o serviço e atestado de antecedentes criminais. Os candidatos ainda precisam fazer um curso especial de transporte de escolares oferecido pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito). O curso tem validade de cinco anos e custa R$ 220. A duração é de duas semanas, com aulas das 19 às 22 horas. Os alunos aprendem sobre legislação de trânsito, prevenção de acidentes, psicologia e segurança no trânsito, primeiros-socorros e meio ambiente. O curso é oferecido pelo CFC (Centro de Formação de Condutores) conforme formam-se turmas de 15 integrantes. [FOTO2] TUDO PRONTO O sapateiro Renato Paulo já tem CNH - categoria D, fez o curso do Detran e atende às outras exigências para ser motorista de van; depende apenas do alvará expedido pela Prefeitura. Tem 47 pessoas na frente dele. Renato, inclusive, está afastado do serviço na fábrica por problemas na coluna. Ele trabalha o tempo todo em pé e isso agrava a doença. A idéia de deixar o setor de calçados e transportar crianças nasceu dentro de sua casa. Há nove anos, sua mulher, Társia Paulo, 39, deixou o trabalho com marketing para ser motorista de van. Acertou na mudança e hoje é exemplo para o marido. “Trabalho, tenho um salário bom e ainda consigo tempo para as tarefas da casa, fazer academia e me cuidar. É uma rotina puxada em que cada minuto tem de ser seguido à risca. Meu marido fez a primeira inscrição em 2006, mas está esperando até hoje por uma vaga”. Na fábrica, Renato trabalha das 6h45 às 17 horas. Társia leva e busca os alunos na escola de manhã, à tarde e à noite, mas tem os intervalos entre as corridas para cumprir outros compromissos. Társia ganha R$ 1.500 em média por mês. “O salário como sapateiro e motorista seria igual. Mas a van permite uma folga maior, tempo para ir ao banco, duas férias por ano”, disse Renato. Os motoristas escolares trabalham cerca de oito horas por dia e ganham entre R$ 1.300 e R$ 2 mil. Apesar da lista de espera ser grande, quem quiser arriscar e entrar na concorrência pode entrar em contato com o Setor de Transporte Alternativo da Prefeitura, pelo telefone (16) 3702-9560 das 8 às 16 horas.

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