Alice Alves: um século de vida e surpresas


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Hoje será dia de festa no Lar de Ofélia. Haverá bolo, doces, refrigerantes, pizzas e uma decoração com flores para enfeitar o local. Todo o burburinho tem dois motivos especiais: Alice Alves, uma das senhoras que moram na instituição, completará cem anos e reencontrará os parentes que não vê há quase três décadas. A festividade começou a ser preparada há três meses. Funcionários do lar passaram a vasculhar o passado de tia Alice (é assim que as pessoas a chamam dentro do lar), em cartórios de registro civil, para localizar seus sobrinhos. Reencontrá-los era um dos desejos da idosa para seu aniversário. Em março, uma reportagem do Comércio contou uma pouco dessa história e ajudou as assistentes sociais da entidade a fazer contato com os parentes. “Depois da matéria no jornal, encontramos três sobrinhos em Franca e Batatais e fizemos o convite para visitarem a tia Alice no dia do aniversário de cem anos dela. Com certeza, será muito emocionante”, disse Mônica Martins Ferreira, assistente social. Alice nasceu no dia 20 de junho de 1908 em Delfinópolis (MG). Ainda criança teria vindo com o pai para Franca, após a morte da mãe, com outros cinco irmãos, sendo quatro mulheres e um homem (Geralda, Auristotelina, Maria, Benedita e Valtercides). Solteira, não teve filhos. Quando jovem, teria trabalhado como doméstica. Em razão da avançada idade e problemas de memória, tia Alice não sabe informar mais detalhes de sua história. No lar, sua ficha de internação só fornece os nomes dos pais, Maria Alves da Silva e Eugênio Alves da Silva, e o de uma madrinha, chamada Lia, com quem teria morado até entrar no Lar de Ofélia. Recentemente, com o auxílio dos parentes, descobriu-se que a madrinha era, na verdade, a madrasta, com quem seu pai teria se casado quando chegou em Franca. Tia Alice está no asilo desde 1979 e, durante todo esse período, recebeu poucas visitas. “No seu histórico, não há muitos dados da sua família e do seu passado. A assistente social da época não atentou para isso. Também descobrimos que ela tinha pouco contato com os parentes”, explicou Mônica. Para a festa de hoje, a assistente social convidou os parentes com quem conseguiu contato e a diretoria da entidade. O parabéns começará a partir das 17 horas. Ontem, funcionários do Lar organizavam o recinto para a comemoração. Com saúde perfeita, apesar de há cinco anos estar numa cadeira de rodas, tia Alice, de vestido florido, gorro e cachecol para fugir do vento frio da manhã, era só alegria entre uma foto e outra para o jornal. “Ela já sabe da festa, tanto que fez as unhas para receber os convidados no aniversário. Independente da idade, ela continua vaidosa”, disse a assistente social.

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