Tudo o que acontece neste País, não importando o grau da importância do fato, desde que envolva sexo, sujeira, dinheiro, corrupção ou outras falcatruas e, estando envolvido em um dos pólos, principalmente no passivo, político ou gente considerada importante, nós, os pobres mortais participantes do chamado populacho, nunca ficamos, nem ficaremos sabendo o final da história, nem se tudo foi apurado corretamente ou se houve um culpado e alguém inocentado.
Desde os tempos do império e até os dias de hoje, veiculam-se notícias da ocorrência de cambalachos de todos os tipos e jeitos, com envolvimento de gente graúda que, ou vão para o folclore brasileiro, ou viram piada de botequim. Também, ninguém se preocupa em dar publicidade ao resultado da apuração, talvez porque não interessa ou não dá Ibope a absolvição, ao contrário de uma condenação escandalosa porquê, aquela desmente a manchete e esta a confirma, além do quê, o povo gosta de sangue, desde que não seja o seu.
Por que será que tudo neste País vira piada, chacota e não se consegue levar nada a sério quando a coisa é séria? Por futebol, mulher feia ou bonita, churrasco com cerveja e pinga, mata-se até pai e mãe sem arrependimento. Algumas vezes vira até música, como aquela denominada popularmente de “churrasquinho de mãe”.
A grande maioria atribui tudo à falta de cultura e de costumes, culpando a ausência de uma raça mais apurada em face da nossa origem vinda da mistura dos índios com os escravos negros trazidos da África e destes com os portugueses, franceses, holandeses, italianos, alemães e até alguns extraterrestres.
Enfim, parece-nos que tudo, na verdade, se traduz na falta de um maior e melhor investimento e orientação na formação das famílias e na educação de nossos jovens, que ficam a tudo assistindo e ouvindo, criando e aceitando a idéia de que tudo a sua volta é uma grande piada e que o que ele tem a fazer é aumentá-la, porque assim sua vida será muito mais fácil e nada e nenhuma outra atitude lhe pode ser cobrada.
Quando isso acontece, tem a resposta na ponta da língua: “vocês me fizeram, colocaram no mundo, deixaram de fazer a sua parte e agora querem que eu resolva e assuma as responsabilidades que eram de vocês, sem que eu seja o culpado e tenha sido preparado para tanto?”. Tudo isso não é mesmo uma grande meleca?
Odorico Antônio Silva
Advogado
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