Voluntária é impedida de entrar no Ceasa


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Há cinco anos, a cabeleireira Márcia Cristina Silva, moradora no Jardim Esmeralda, busca frutas, verduras e legumes no Ceasa (Central de Abastecimento de Franca) e distribui para as famílias carentes moradoras no bairro. Desde a última segunda-feira, ela não pode mais realizar o trabalho. Márcia foi impedida de entrar no entreposto. Além disso, a direção do local impôs inúmeras exigências para que ela continue buscando os alimentos. Entre as exigências, a voluntária terá que apresentar CNPJ de associação assistencial, usar crachá, ter o carro revistado na saída do Ceasa e assinar um documento da doação dos produtos. “Não é o Ceasa que fornece as verduras, são os agricultores. Por que eu tenho que assinar um papel como se fosse eles quem estivessem fazendo a doação?”, questiona. Outra imposição feita pela diretoria do Ceasa e que irritou Márcia foi a mudança de horário. Agora ela não poderá mais entrar no local às 7 horas, como sempre fez. “Só vão me deixar entrar depois das 9h30. Nesse horário, muitos agricultores terão ido embora e não vou conseguir pegar nada mais”, reclama. Sem o CNPJ, já que Márcia faz um trabalho voluntário, a direção do Ceasa pediu para que ela listasse os nomes, documentos e endereço de todas as famílias que Márcia ajuda. “Eles já têm a lista de quem vem na minha porta. Há uns três anos, entreguei isso”, disse a cabeleireira. Giovane Dominici, gerente do Ceasa, confirmou as exigências e disse que elas já haviam sido feitas há algum tempo. Segundo ele, os produtos distribuídos no local devem ser cadastrados no Banco de Alimentos da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). “Ela disse que são os agricultores que doam, mas os produtos saem da companhia e preciso passar um relatório à Ceagesp todo final de mês. Preciso saber o quê e a quantidade do que saiu”, disse. Quanto à mudança de horário, Giovane disse que foi um pedido dos próprios agricultores. “Às 7 horas, os permissionários começam a atender os clientes e se as entidades chegam pedindo neste horário atrapalham o trabalho”. Márcia venceu as eleições para presidir o Centro Comunitário do Jardim Esmeralda. Com isso, poderá legalizar seu trabalho, mas ela ainda não oficializou os documentos. Sem cumprir as novas exigências, mais de 170 pessoas, que buscam as verduras uma vez por semana na porta da sua casa, podem ficar sem receber os produtos.

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