Etanol e eleições dos EUA


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De repente, o álcool carburante brasileiro torna-se “eleitor” nas eleições dos Estados Unidos. Barack Obama, candidato democrata, defendeu um acordo energético com o Brasil. O republicano John McCain propõe objetivamente o fim da tarifa de importação do etanol brasileiro e do subsídio ao etanol de milho americano. Também acena com o apoio dos EUA à entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e no G8, objetivos há anos perseguidos. Mesmo com todo o ênfase de McCain, não podemos esquecer que são apenas palavras de campanha que, tanto lá quanto cá, pouco ou nada valem, a ponto do próprio político, depois de empossado, irônica e singelamente dizer “esqueçam tudo o que eu já falei”. Pode ser que, depois de instalado na Casa Branca, o vencedor finja não se lembrar mais do dito sobre o Brasil. De qualquer forma, no mundo globalizado, tornar-se tema da campanha presidencial americana não é coisa para qualquer um. O Brasil deve tirar proveito diplomático e econômico dessas referências e executar política mais clara e agressiva para conseguir decolar a sua filosofia energética ao mundo. Demonstrar claramente que, depois do fracasso ocorrido na época em que seus veículos eram comparados a “carroças” pelo próprio presidente da República, foi capaz de, com trabalho e determinação do empresariado do setor, tornar o álcool competitivo e seguro como combustível automotivo, pois desenvolveu o sistema “flex”, onde o motorista pode abastecer com álcool ou gasolina, escolhendo o que lhe for economicamente mais interessante ou estiver disponível na bomba. Além da simples equação do álcool automotivo, ainda temos o programa do biodiesel, que também troca a queima de petróleo por fontes renováveis, com o lucro de menor poluição ambiental, já experimentado no álcool. Para possuir esses combustíveis com suas formas de aproveitamento, os brasileiros desenvolveram toda a tecnologia que também pode ser exportada para outras regiões do mundo com clima e outras condições favoráveis à produção. Esse exemplar arcabouço tecnológico brasileiro poderá significar o desenvolvimento de regiões pobres e a oferta de energia limpa e renovável para as áreas já saturadas do planeta, com os devidos royalties em contrapartida. Além dessa possibilidade de “trabalhar” a presença do nosso álcool, do biodiesel e de nossas máquinas produtoras e consumidoras desses combustíveis mundo afora, ainda temos as grandes reservas de petróleo recém-descobertas pela Petrobrás, que estarão exploráveis dentro de alguns anos, quando o óleo poderá ter importância ainda mais estratégica do que hoje. Ganhe quem ganhar a eleição nos EUA, o Brasil tem que trabalhar, e muito, se quiser conquistar mercado e consolidar posições de liderança. Nenhum aliado estrangeiro fará economicamente aquilo que nós devemos fazer... Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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