Brasil é o melhor País do mundo


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A casa grande e confortável em que Huzio Hashimoto, 78, mora em Ituverava ainda guarda muitas recordações da mulher e dos filhos. O agricultor aposentado, que chegou ao Brasil em 1938 com seis irmãos e o pai, estudou pouco e fala português com certa dificuldade, o que não impede uma conversa longa e amistosa com a reportagem. Franzino e esbanjando saúde, esse senhor, nascido em Osaka, a segunda maior cidade do Japão, chegou ao Brasil para, ainda criança, se debruçar sobre lavouras de café, coisa que nunca tinha visto na vida. No Brasil, sempre trabalhou com agricultura. Aos 30 anos comprou sua primeira fazenda, com 240 alqueires, hoje arrendada para uma usina de cana de açúcar. “Já estou velho; fazer o quê?”. Na sala da casa, fotos se espalham em vários móveis, mas algumas, em especial, chamam a atenção. Estão dispostas em um oratório feito em madeira. Os porta-retratos ficam ao lado de pequenas placas também de madeira onde os ideogramas indicam o nome e a data em que os familiares morreram. São o filho Takashi, morto em 1989, e a mulher, Takako, que morreu em 1993. À frente das imagens, dois pequenos pires descansam com pedaços de maçã e arroz. É uma tradição budista, que crê que a alma deva ser alimentada. Sentado num sofá simples, Huzio aponta para o quarto, cheio de troféus, ganhos pelo time de Gatebol da cidade. O esporte preferido por dez entre dez colônias de japoneses no Brasil rendeu 123 premiações. Antes dele, o beisebol era paixão. Com o time Mogiana, de Ituverava, correu toda a região, tendo os irmãos Yassuo, Akinori e Massao como parceiros de equipe. Como o amigo Kengiro, ficou sabendo que se mudaria para um país do qual nunca ouvira antes falar e sobre qual, obviamente, não sabia nada. Também a exemplo da família Mine, desceu em Santos com trabalho acertado na antiga Fazenda Trajano, uma das maiores da região. “A vida no começo foi muito dura, mas todo mundo vivia feliz. O Brasil foi muito bom para todo mundo”, disse Hashimoto. “O trabalho foi pesado. Se ficasse no Japão acho que não teria conseguido nada”. Ao falar do país em que nasceu, lembrou das duas visitas que fez a Osaka, uma delas de 47 dias com a mulher, que, segundo ele, queria voltar depois de uma semana. Mas é ao relembrar as passagens no Brasil que Hashimoto faz um gesto repetido várias vezes durante a entrevista. Junta as mãos na altura do peito, no sinal típico de agradecimento, baixa levemente a cabeça e diz que não poderia encontrar lugar melhor para viver. Sorrindo o tempo todo, Hashimoto mostra os exemplares dos jornais editados no Brasil em idioma japonês, leitura que tem se tornado freqüente depois que passou a morar sozinho, assim como é também japonesa a música que ouve e os filmes a que assiste. “Não me afastei do Japão, mas adoro este país (Brasil) demais. Acho que sou mais brasileiro, mas o modo de pensar, a cabeça, é japonesa”. Avô de dez netos, queixa-se das saudades que sente, especialmente do filho Takashi, morto repentinamente, e da mulher, Takako. “Achei que fosse viver mais com minha mulher depois de trabalhar tanto. Queria aproveitar a vida com ela. Quero viver mais uns cinco, seis anos, e já está bom. Depois vou atrás da minha mulher”.

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