A greve de professores da rede estadual de ensino, em vigor desde sexta-feira, deve ganhar as escolas de Franca e região a partir de hoje. A decisão partiu de uma assembléia realizada no início da noite de ontem na subsede da Apeoesp (Associação de Professores do Ensino Oficial Estado de São Paulo), e que contou com a presença de 80 profissionais representantes de 36 das 72 escolas pertencentes à Diretoria Regional de Ensino. A categoria quer que o governo revogue um decreto que impõe restrições à carreira dos educadores e que inicie imediatamente a negociação salarial.
Na manhã de hoje, educadores ligados a Apeoesp percorrerão todas as escolas da rede em busca de adesão ao movimento. De início, as aulas serão suspensas por uma semana. A expectativa é que os profissionais façam greve neste período e forcem o governo a negociar até sexta-feira, 20, quando acontece assembléia estadual em São Paulo. Caso contrário, um novo encontro local será realizado na segunda-feira, dia 23, e será dada seqüência à paralisação.
Luiz Gonzaga José, diretor estadual da Apeoesp, disse que entregará folhetos à população explicando os motivos da greve. A idéia é sensibilizar os pais a não levarem os filhos à escola como forma de apoiar o movimento. Já a Secretaria Estadual de Educação fez o contrário. Por nota, orientou os pais a levarem os alunos normalmente à escola e disse que a greve -no seu primeiro dia - teve adesão de apenas 2% dos 250 mil professores.
Para Gonzaga, o apelo do governo mostra uma preocupação com o movimento. “Estamos em greve e deveremos estar com todas as escolas fechadas. O governo está inseguro, por isso faz apelo para os pais levarem os alunos”, disse.
De acordo com Gonzaga, os alunos não serão prejudicados com a paralisação. Após a greve, será elaborado um calendário para a reposição das aulas. “Não vamos permitir que os alunos sejam prejudicados de maneira nenhuma. Pelo contrário, estamos preocupados com o nível de ensino no Estado”.
ENTENDA A GREVE
Os professores reclamam que estão há três anos sem reajuste salarial e que a defasagem chega a 47%, querem que o governo inicie a negociação, mas o estopim para a greve foi o decreto publicado pelo governador José Serra no dia 29 de maio. Nele, as transferências de escolas ficaram limitadas. O professor tem direito de mudar mas terá de esperar, no mínimo, três anos para isso. Outra mudança é o fato de os não concursados terem de prestar uma prova anual para participar da atribuição de aulas, independente do tempo que está na rede.
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