Raízes: as destruídoras


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ONIPOTENTE - Figueira da Rua João Quirino de Souza: raízes externas já ultrapassaram calçada e invadiram rua, causando perigo para quem passa pelo local
ONIPOTENTE - Figueira da Rua João Quirino de Souza: raízes externas já ultrapassaram calçada e invadiram rua, causando perigo para quem passa pelo local
A dona de casa Maria Helena Castaldi, 53, tem em frente à sua casa, na Rua João Quirino de Souza, uma árvore que conhece desde pequena. A figueira, segundo Maria Helena, tem mais ou menos 40 anos. Apesar da familiaridade com a árvore, a dona de casa a vê com preocupação. “Ela é linda, só que, infelizmente, está em um lugar errado e causando o maior transtorno.” O motivo é seu tamanho. A figueira já ocupou toda a largura da calçada e suas raízes superficiais já estão quase no meio da rua, atrapalhando não só o trânsito de pedestres mas também o de carros. A própria Maria Helena ainda se lembra de um caso envolvendo a árvore. “Uma senhora estava passando com um bebê de 10 meses no colo e segurando uma outra criança. Como atrás de árvore não dá para passar, ela foi com as duas crianças para a rua. Aí, veio um carro e os atropelou. Graças a Deus não aconteceu nada, apenas cortou a boca de uma das crianças, mas poderia ter sido uma tragédia”. Se as raízes superficiais estão na rua, as que ficam sob a terra já atingiram sua casa. “A gente tem medo, porque pode demolir a casa da gente. Ela está com uns quinze metros ou mais”. A dona de casa já solicitou a poda da figueira, mas a Prefeitura ainda não realizou o serviços. “Eles (os homens da Secretaria de Obras) vieram aqui e só cortaram uns galhinhos. Não era isso que eu queria”. O caso da figueira não é o único de Franca. Em uma simples volta pela cidade, foram observados, pelo menos, outros dez casos em que as calçadas foram destruídas pelas árvores. De acordo com dados da Prefeitura, aproximadamente 350 solicitações são feitas anualmente pedindo que árvores sejam arrancadas por causa de problema com as raízes. Em metade dos casos, a retirada é a única solução possível. O maior número de ocorrências está em bairros mais antigos da cidade, como Centro, Estação, Jardim Seminário e Vila Nova. A doméstica Maria Rodrigues, que mora no Jardim Palmeiras, também teve problemas com as raízes da árvore em frente à sua casa. “A árvore estragou toda a calçada. Vou ter que fazer tudo de novo”, disse. O grande problema, aponta o engenheiro agrônomo da Prefeitura, Márcio Fernando Silveira Rodrigues, é o plantio de árvores que são impróprias para as ruas. “Normalmente, na cidade, o único local de penetração de água para alimentar a planta é o canteirinho de terra no qual ela está plantada. Com isso, suas raízes ficam concentradas naquele local ou então se alongam em busca de mais água, o que faz com que elas arrebentem as calçadas”. [FOTO2] Para evitar o problema, Márcio recomenda que o morador procure a Prefeitura. “Ele deve pedir uma vistoria técnica para avaliar a situação, se é possível reparar a calçada sem danificar muito a raiz”. Ele ressalta ainda que em nenhum caso é possível o próprio morador arrancar a árvore. “É proibido por lei. A árvore estando em calçada, está em área pública e a Prefeitura é responsável pela manutenção e remoção, se for o caso”. Caso haja a retirada de uma árvore, o morador pode pagar multa. Márcio diz ainda que, para quem quiser plantar árvores na calçada, o importante é observar o tamanho do local onde a árvore será plantada. “Se tiver calçada pequena e fiação, você tem que plantar árvores de pequeno porte, como flamboyant-mirim e ipê de jardim. Se for o lado oposto à fiação, você pode plantar árvores de porte maior, como ipês, magnólia e canelinha, entre outras”.

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