Morre aos 83 anos o imigrante japonês Takayuki Maeda - o rei do algodão


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Morreu ontem em Ituverava, interior de São Paulo, o comendador Takayuki Maeda, considerado o Rei do Algodão, após complicações de saúde. Aos 83 anos de idade era um exemplo bem sucedido e indiscutível da desenvoltura e competência dos japoneses em terras brasileiras. A família Maeda chegou ao Brasil em 1927 através do patriarca Tsunesaemun Maeda que em 1951 já passava a administração dos negócios ao filho Takayuki Maeda, também vindo do Japão. Em uma rara entrevista, há pouco mais de três meses, ele lembrou que não foi fácil e recorda dos dias que saía ainda de madrugada para trabalhar na lavoura. “Fui cedo pra roça e estudei só até o quarto ano primário. Comecei a vida na enxada”, conta. Mas a vida sofrida no campo, logo se transformaria em oportunidade de crescimento, com a compra de pequenas fazendas na região de Ituverava. Aos poucos, os espaços foram sendo conquistados por Takayuki com trabalho e muita parceria. Ele lembrou que comprava um caminhão novo, chamava os motoristas e oferecia: “quer ficar com ele, é seu - me paga com serviço”. Também fazia o mesmo com máquina de colheita. Porque, “na mão do dono, a máquina rende mais, quebra menos. Claro que parceria a gente só oferece para quem merece. Sempre deu certo. Nunca me arrependi”, relatou. REI DO ALGODÃO Em menos de 15 anos, Maeda já se destacava e resolveu abrir novas fronteiras agrícolas. Comprou terras em Itumbiara-GO e foi logo sendo criticado. “Me falaram: Maeda soja não dá aqui em Goiás. Mas não liguei e vejam onde a soja chegou. E o algodão? Entramos em Goiás sem máquina de colheita. Fomos crescendo e chegamos a empregar 15 mil pessoas na colheita nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso”, apontou o agricultor japonês. Hoje o Maeda tem o título de “Rei do Algodão” e virou um grupo que pode ser considerado caso único no mundo. A produção foi verticalizada chegando a ser algodão de ponta a ponta. São produzidas a pluma, o fio, o óleo, o farelo, as gorduras e as sementes. “Nosso negócio é a agroindústria, mas nunca vamos tirar o pé da terra”, afirma Takayuki. A história japonesa na agricultura brasileira vista através do Grupo Maeda mostra que, para crescer, não basta trabalhar muito, ser honesto e manter a família unida. É preciso também confiar na capacidade dos outros e dar uma força a quem o ajuda a crescer. “Ninguém cresce sozinho. Quando todo mundo pega junto, o sucesso é garantido. Hoje estamos preparados para enfrentar os desafios da globalização. A tecnologia muda muito, as ferramentas também, mas a filosofia, que é o cerne, continua mais atual do que nunca”, finalizou Takaiuki Maeda. O corpo está sendo velado no Centro Cultural de Ituverava e será sepultado neste domingo às 11 horas no Cemitério Municipal de Ituverava.

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