Mercado internacional faz arroz ficar mais caro


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SEM SAÍDA - O professor de economia Antônio Santos Moraes Júnior disse que a alta é uma tendência mundial
SEM SAÍDA - O professor de economia Antônio Santos Moraes Júnior disse que a alta é uma tendência mundial
Ao pesquisar preços de arroz em um supermercado da cidade na semana passada, o casal Wesley e Mayra Ferreira tiveram um susto. Pelo pacote de cinco quilos que compraram no mês passado, os dois pagaram perto de R$ 7. Na nova compra, um produto similar ao que estavam acostumados a consumir não custava menos de R$ 10,65. O aumento do arroz, cujo maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul, é apenas um ponto visível da crise mundial nos preços dos alimentos, mas não é o único. O produto base do prato do brasileiro teve um reajuste de 28,86%, mas foi a batata que mais assustou os consumidores: 43,3% mais cara. Para ela, a explicação é o fim dos estoques na região de Araxá, tradicional centro distribuidor para a região de Franca. Com o fim do produto na cidade mineira, comerciantes locais tiveram como opção buscar batatas no interior no Paraná, o que, de acordo com eles, encareceria o preço final. Já no caso do arroz, o preço alto estaria ligado ao consumo internacional e aos preços praticados lá fora. Segundo o economista Hélio Braga, coordenador do Instituto de Pesquisas Econômicas do Uni-Facef (Centro Universistário de Franca), nenhum indicador sinaliza que os preços dos alimentos poderão baixar em curto ou médio prazo. Em sua opinião, produtos como o arroz, que ao lado da soja, café, trigo, entre vários outros, formam o que o mercado classifica de “commodities” - largamente consumidos no mundo todo e comercializados preferencialmente - podem estar sofrendo pressão especulativa que, aliada à forte demanda e oferta menor, tornam-se mais caros. Teoricamente, explicou ele, o arroz exportado pelo produtor brasileiro deveria ser o excedente dessa produção, aquilo que sobra após o mercado interno ser abastecido. “Mas isso é só na teoria, porque a partir do momento que o agricultor encontra preço mais atraente lá fora, ele vai vender”, disse Braga. “Quem produz quer lucro; é a regra”. Há pouco mais de duas semanas, quando o governo federal determinou que estavam suspensas as exportações de arroz brasileiras, como medida para suprir o consumo e evitar o desabastecimento, produtores do Sul do País reagiram classificando a decisão de autoritária. Na opinião do professor, a reação não foi uma surpresa. “Se o governo impede a exportação, portanto impede que o produtor venda para quem lhe pague melhor, é conveniente achar que deveria haver alguma compensação para isso, em forma de subsídios. Mas o governo não dá subsídio algum, portanto o produtor está pouco se importando se vai ou não faltar arroz nos supermercados. Vivemos em um sistema capitalista cuja orientação é o lucro”. PESQUISA MÊS A MÊS O Ipes, do Uni-Facef, realiza pesquisa de mercado tendo como base a cesta básica nacional, com a mesma composição de itens. Desde 2005, o levantamento de dados vem servindo para mostrar a variação de preços em Franca. A equipe que trabalha para o instituto, sob a supervisão do professor Braga, percorre 18 supermercados na cidade. A coleta de dados e a verificação de preços é feita pessoalmente. “Não fazemos índices. O que mostramos é a movimentação dos preços dos alimentos”, disse o professor. O resultado das pesquisas pode ser visto no site facef.br/ipes.

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