O deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB) disse ontem que votou “por justiça social” ao dizer sim à criação da CSS (Contribuição Social da Saúde), que substitui a CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira).
Em que pese toda a pressão do governo pela aprovação, o parlamentar disse que seu voto nada teve a ver com o fato de ser integrante da bancada governista. “Não estou votando porque alguém pediu. Os deputados não estavam fazendo política, estavam votando porque querem arrumar a saúde. Se não se fizer justiça social esse País vai explodir”.
Ubali disse que o fato de ser médico também pesou na hora de seu voto. “A Saúde precisa de dinheiro para melhorar os serviços.Hoje ela está com fila para cirurgias, dificuldades de atendimento e marcação com espera demorada”, alegou.
Segundo Ubiali, o valor destinado à Saúde pelo governo federal hoje é de R$ 45 bilhões por ano. Para que ela funcione de maneira adequada, precisaria de, no mínimo, mais R$ 9 bilhões. “O imposto vai dar o mínimo necessário para a saúde funcionar”.
Enquanto o deputado defende a contribuição, empresários se manifestam contra. O presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), João Cheade, disse ontem que a carga tributária é mais um fardo para o empresariado. “Somos contra e tentaremos sensibilizar os senadores para que não deixem que este projeto passe e sobrecarregue o empresário com mais um tributo”, disse.
Fahin Youssef Issa, presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), também acredita que o imposto vai penalizar quem produz. “Quem trabalha paga cada vez mais”. Fahin disse ainda ter dúvidas de que o dinheiro será revertido integralmente para a saúde. “No começo da outra (CPMF) também era assim, depois fazem medida provisória e mudam tudo”.
ENTENDA A CSS
A CSS foi criada para custear gastos da Saúde. A contribuição incidirá sobre as movimentações bancárias como saques, saldos, extratos e financiamentos, com uma alíquota de 0,1%, cobrada apenas de trabalhadores com salários maiores que R$ 3.080. O novo tributo deve entrar em vigor em janeiro de 2009. A expectativa é que ela represente uma receita adicional de R$ 11,8 bilhões ao governo federal, mas para ser regulamentada é preciso ainda a aprovação do Senado.
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