Depois de registrar duas mortes em apenas três dias (a do aposentado Ayres Oscar, que morreu enquanto esperava um fax que autorizaria sua internação no Hospital do Coração, e de Claudimara Saldanha, que morreu depois de tomar uma injeção), o Pronto-Socorro “Doutor Janjão” voltou a viver um dia de tumultos nesta sexta-feira, 13. Reclamações por parte da população que depende da saúde pública em Franca não faltaram.
Por volta das 13 horas de ontem, aproximadamente 80 pessoas de todas as faixas etárias aguardavam atendimento no local. O vendedor Luís Carlos da Silva chegou ao local às 11 horas com sua mulher, que reclamava de mal-estar e dores no corpo.
Como a fila só aumentava e ninguém era chamado para ser examinado, Silva se dirigiu até o balcão de atendimento e teria sido informado que os dois médicos que trabalhavam no pronto-socorro haviam saído para almoçar, o que revoltou não só a ele, mas às pessoas que esperavam pelas consultas. “Disseram que, por volta das 11 horas, os médicos levantaram e foram embora. Somente no momento em que cogitamos chamar a imprensa é que, do nada, surgiu um médico e começou a atender. Foram mais de duas horas sem atendimento”, disse.
A estudante Sabrina Silva Soares também teve que esperar muito pela consulta. Após desmaiar na escola, a garota foi socorrida por seu pai até o pronto-socorro. Só foi atendida duas horas depois, após sofrer outro desmaio.
O setor de limpeza ontem foi outro a apresentar deficiências. Uma paciente vomitou na sala de espera e, como não havia nenhum encarregado para a faxina, um funcionário apelou para o improviso e estendeu toalhas de papel no chão.
Nenhuma das atendentes que trabalham no pronto-socorro aceitaram conceder entrevistas. Apenas informaram que nenhum supervisor ou responsável por aquela unidade de saúde estaria presente para prestar esclarecimentos.
Responsável pela Secretaria de Saúde em Franca, Alexandre Ferreira admitiu que o dia foi mesmo tumultuado no PS por causa da grande quantidade de pacientes. Ele disse ainda que a secretaria fez o possível para amenizar a espera. Citou que até o médico Renato Del Bianco, chefe dos Serviços de Urgência e Emergência do pronto-socorro, foi convocado para auxiliar na triagem e atendimento dos pacientes.
O secretário negou que os médicos tenham abandonado seus postos para almoçar. “A informação que eu tenho é de que chegaram dois casos urgentes e que estes médicos foram deslocados para atender estes pacientes que precisavam de atenção urgente. Assim que verificamos que os atendimentos iam demorar, convocamos mais gente para atender”, disse.
Ferreira ainda considerou normal o fato de 80 pessoas aguardarem na fila. “A unidade atende entre 700 e 800 pessoas em 12 horas, então esse número é normal”, finalizou.
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